
Para assistir a um monólogo é preciso uma dose extra de ânimo. Segurar o público mais de 60 minutos sozinho no palco, não é para qualquer um. O medo do chato, a luta contra o sono, o tique na cadeira apavoram. Sendo assim, o que esperar de “Meu Remédio”, quando a sinopse diz ser algo relacionado à autobiografia de Mouhamed Harfouch?
O autor é carismático, recebe o público como se estivesse em sua própria casa. Desmistifica o mistério do teatro, sem ignorá-lo, sem desistir dele. Ao viajar em suas memórias e intempéries, traz todos os perrengues ( para não dizer bullying), tirando sarro, ou mesmo exagerando tudo aquilo que lhe consumiu, que o entristeceu, principalmente em sua infância e adolescência.

O ponto de partida foi brincar com seu nome e toda a gama de trocadilhos que vivenciou, falando de sua família – diferente do padrão e dos costumes, por ter um pai árabe, com sotaque muito forte e comportamentos estranhos ao gosto popular carioca.
Mouhamed Harfouch domina a cena, obviamente porque o texto lhe é muito familiar, mas não por isso se deixa de perceber a direção bem cuidada de João Fonseca.
Surpreendentemente leve e divertido, “Meu Remédio” – que, aliás, quando descobrimos que o nome da peça nada tem a ver com o que imaginávamos, é um delírio fantástico e muito prazeroso de assistir.

Conforme a proposta inicial do ator recebendo seu público, realmente, em determinado momento, eles (ator e diretor) conseguem fazer com que o público se esqueça de que está em um teatro, e pense estar na casa dele.
Há imitações, principalmente do pai, músicas tocadas e cantadas por ele próprio. Uma diversificação de maneiras para contar suas desventuras e cativar a plateia com sua história pessoal até então desconhecida (ou pouco conhecida). Vale destacar a luz inteligente para o tamanho do espetáculo, de Daniela Sanchez, e também, a cenografia adequada e bonita, de Nello Marrese.

Mouhamed Harfouch foi ousado ao criar um espetáculo contando sua própria história que, de uma maneira tranquila, segura o público em seus 75 minutos de duração, concorrendo num cenário teatral com todo tipo de encenação.
A peça segue em cartaz no Teatro Santos Augusta, até 29 de março. Para mais informações, clique aqui.
Crédito das fotos: Gustavo de Freitas Lara.
por Carlos Marroco – especial para A Toupeira


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