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Crítica: Verdade & Traição”

“É quase impossível discernir a verdade com a máquina de propaganda nazista distorcendo-a, até torná-la irreconhecível.”

“Verdade & Traição” (Truth & Treason) é mais uma daquelas produções que nos fazem pensar que nem a imaginação mais fértil seria capaz de criar uma história tão terrível. Obviamente, a realidade ostenta fatos que merecem todos os créditos positivos, mas também, quando escreve momentos em que a maldade humana prevalece, chega a nos fazer duvidar de muitas coisas.

Passada em Hamburgo, na década de 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, a narrativa nos apresenta Helmuth Hübener (Ewan Horrocks), que, ao lutar pela verdade, em meio ao medo instaurado em seu país, vai se tornar o mais jovem combatente da Resistência Alemã ao Terceiro Reich a ser condenado à morte, por se opor a Adolf Hitler.

A mudança no pensamento do protagonista se dá após a prisão pela Gestapo (e posterior execução) de seu amigo judeu, Salomon Schwarz (Nye Occomore), que já era um alvo fácil para a crueldade dos participantes da Juventude Hitlerista.

O rapaz que sonhava em ser professor e amava os livros (que, a essa altura, tinha a maioria dos títulos proibidos em território alemão), vê seu futuro interrompido pela intolerância religiosa que assolava a sociedade na época.

Graças a sua capacidade de redigir textos com qualidade, Helmuth é contratado para trabalhar na Prefeitura. O acesso a máquinas de escrever e a obras de grandes autores (cujos exemplares permanecem trancados em uma sala esquecida), assim como transmissões radiofônicas clandestinas de estações de fora da Alemanha (que divulgam informações reais sobre os sangrentos desdobramentos da guerra) lhe dão uma ideia que mudará os rumos de sua vida.

Junto a dois amigos, Rudolf “Rudi” Wobbe (Daf Thomas) e Karl-Heinz Schnibbe (Ferdinand McKay), frequentadores da mesma igreja mórmon (liderada por um pastor que desrespeita a condição de lugar sagrado e não se furta de colocar um aviso em sua porta, proibindo a entrada de judeus no recinto), ele inicia uma ação desesperada, visando atingir o maior número de pessoas.

Assim, começa a datilografar centenas de panfletos cujo conteúdo prega a percepção da verdade: que a Alemanha está sendo devastada pelo regime nazista, todos correm real perigo (ainda que muitos não enxerguem desse modo) e é preciso fazer algo contra isso, imediatamente.

É claro que tal atitude não é bem vista por aqueles que seguem de maneira cega o ditador. E, sob o comando do Secretário Criminal da Polícia Secreta do Estado de Hamburgo, Erwin Müssener (Rupert Ewans), os responsáveis pelas mensagens espalhadas aos quatro ventos passam a ser procurados. O que implica em cenas com sessões de tortura explícita (que, possivelmente, vão revirar o estômago de qualquer espectador que tiver o mínimo de bom senso), que seguem revoltantes, mesmo após tantos anos.

O roteiro de Ethan Vincent e Matt Whitaker (este, também à frente da direção) é preciso e não se prende a exageros para comover o público. Muitas vezes, não é necessário mais do que “apenas” trazer a verdade à tona, para tocar em feridas que, se depender da falta de humanidade de tantos que ainda circulam por aí em dias atuais, o tempo jamais será capaz de fechar.

A versão estendida de “Verdade & Traição” deu origem a uma minissérie de quatro capítulos, com cenas inéditas e um aprofundamento da dolorosa trajetória repleta de coragem e fé de Helmuth Hübener.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Paris Filmes.

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