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Resenha: “Vira-Lata Caramelo”

Crédito: Angela Debellis

Ainda que não oficialmente reconhecidas, algumas figuras tornam-se patrimônios culturais eleitos pelo povo. No Brasil, um dos casos mais emblemáticos é o do simpático “Vira-Lata Caramelo”, cuja simpática presença é corriqueira nos mais diversos lugares.

O cãozinho que dá nome ao livro de Lucas de Sena é um espécime sem raça definida, mas que tem muita raça para enfrentar a vida nas ruas. No Brasil, há cerca de 30 milhões de animais abandonados, sendo em sua grande maioria, a maravilhosa mistura que resulta em tantas cores, pelagens e tamanhos singulares.

A obra lançada pela Elo Editora tem como protagonista, Caramelo, que faz parte do que chamamos de “cachorros comunitários” – aqueles que não têm um lar físico específico, o mundo é sua casa. A liberdade é sua marca.

Mas, se por um lado eles conquistam corações bondosos que, mesmo sem poder efetivamente adotá-los, ajudam a mantê-los saudáveis e felizes, por outro essa instabilidade gera insegurança. Infelizmente, há indivíduos maldosos, que não hesitam em dificultar a existência de animais – e muitas vezes, de outras pessoas.

Crédito: Angela Debellis

Muitos casos têm sido trazidos à tona, sendo o do cãozinho comunitário Orelha, um dos que tiveram mais visibilidade nos últimos tempos. A partir de sua história, houve mudança nas leis (que ainda não são exatamente apropriadas) e a comoção pior sua injusta partida alcançou níveis globais. Em uma citação mais leve, um legítimo exemplar do cachorro “meio marrom, meio amarelo” também virou tema de filme no streaming.

É impossível fazer a leitura sem sorrir. A inocência de Caramelo é retratada de maneira fiel, através do texto de fácil entendimento e cheio de ritmo de Lucas de Sena, e das graciosas ilustrações de Matheus Furtado. Seja nas brincadeiras com as crianças, nas caminhadas pela vizinhança – que lhe garantem água, comida e carinho -, no acompanhamento silencioso da missa.

Tais atitudes fazem parte da identidade dos cachorros que, como descrito no próprio livro, são de todo mundo. Mas, essa tutela compartilhada, embora tenha seu óbvio valor, nem sempre é suficiente para garantir segurança e dignidade.

Então, quem sabe após ler a obra, você decide abrir seu coração e adotar um animalzinho (independente da espécie)? Há milhares esperando em ONGs, abrigos, eventos de adoção, ou, talvez, em uma esquina próxima.

Lembrando que qualquer adoção deve ser feita com consciência e responsabilidade, afinal, falamos de vidas preciosas e inocentes, que merecem ser amadas, respeitadas e cuidadas em todas as suas fases.

por Angela Debellis

*Leitura feita a partir do livro cedido pela Elo Editora.

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