“A vida é complicada. Mas a gente faz o melhor que pode.”
É inegável a força (sem nenhum trocadilho) de “Star Wars”. A marca tornou-se gigante em diversos âmbitos da cultura, obtendo sucesso não só no cinema, mas na TV, em livros, peças colecionáveis, roupas, e em tantos outros segmentos do mercado que se renderam a todas as ramificações da franquia iniciada em 1977, com “Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança”.
Por isso, retomar o caminho a partir da lacuna de sete anos, desde que o último título chegou às telonas (“Star Wars: Episódio IX – A Ascensão Skywalker”) não é tarefa das mais fáceis. Para tal empreitada, a escolha foi o lançamento de “O Mandaloriano e Grogu” (The Mandalorian and Grogu), filme que leva, pela primeira vez aos cinemas, a dupla que conquistou corações protagonizando três temporadas da série “The Mandalorian”.
Após a queda do Império, Din “Mando” Djarin (Pedro Pascal) atua como caçador de criminosos de guerra, em nome da Nova República. Como missão estabelecida pela Coronel Ward (Sigourney Weaver), ele deve encontrar Rotta, the Hutt (voz de Jeremy Allen White), filho do memorável vilão Jabba, the Hutt e vítima de sequestro, segundo relato de seus tios, conhecidos como “Os Gêmeos” (vozes não creditadas), em troca de informações úteis.
Enquanto busca o herdeiro direto do Império Hutt, o Mandaloriano terá outro encargo: desvendar a misteriosa identidade de uma poderosa figura, cuja captura é tida como prioridade, mas da qual sabe-se apenas o nome: Comandante Coin.
A narrativa inédita escrita por Jon Favreau (também à frente da direção), Noah Kloor e Dave Filoni se passa em vários pontos da Galáxia (que, após tantas décadas e produções diferentes, tornou-se bem mais próxima dos fãs da saga intergaláctica).
Do temível planeta natal dos Hutts, Nal Hutta, a Lua de Shakari comandada por Lorde Janu (Jonny Coyne) – onde acontecem lutas clandestinas mortais, envolvendo as mais diversas espécies – os cenários impressionam pelo cuidado na criação de suas características.
Obviamente, Mando não estará sozinho nessa empreitada. Grogu (David Acord) consegue o impensável, ao surgir ainda mais encantador do que o já visto nos episódios televisivos. A interação da dupla é perfeita e mostrada de maneira primorosa através de uma estrutura de roteiro que sabe quando e como deixar cada personagem se destacar junta ou individualmente.
Sob a impactante (e belíssima) trilha de Ludwig Göransson, a trama ganha ares épicos e, mesmo não sendo tão complexa, atinge o ponto certo para agradar quem assistiu à série e já conhece a base na qual o longa se sustenta. A boa notícia é que também aqueles que não tiveram contato prévio com os personagens, conseguirão entender o que veem em tela, já que a premissa entrega uma aventura que não depende de elementos anteriores para ser compreendida.
Vale destacar o trabalho dos dublês de corpo, Lateef Crowder e Brendan Wayne, que mantêm a excelência de Mando nas empolgantes cenas de ação. E a participação especial do aclamado diretor Martin Scorsese, dando voz a Hugo Durant, um simpático cozinheiro ardenês, proprietário de uma barraca de comida em Shakari.
Em 132 minutos de duração, “O Mandaloriano e Grogu” diverte, emociona e transporta o público até as profundezas do cosmo, propondo a cada espectador que se torne membro dessa aventura espacial. E acrescenta uma valorosa contribuição a esse universo, aparentemente infindável, de “Star Wars”.
Como deve ser.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Walt Disney Studios Br.


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