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Crítica: Fora de Controle”

“Fora de Controle” (Dis-moi juste que tu m’aimes) traz dois dos melhores atores franceses da atualidade (Élodie Bouchez e Omar Sy), juntos em uma trama de amor, desconfianças e traição.

O roteiro não é muito complexo, e a história é um tanto óbvia, mas se entrarmos na mente de Marie (Élodie Bouchez), entenderemos a sua complexidade, e todas as armadilhas por ela mesma criadas. É uma cabeça bagunçada, muito exausta por sofrer por antecipação.

O drama francês mostra como a insegurança pode ser destruidora da vida de uma pessoa. Ela, Marie, quase enlouquece, com suas paranoias de traição, e faz, justamente, o que não queria que seu marido Julien (Omar Sy), fizesse.

Supõe, e se fragiliza. Aí é que entra aquela expressão popular “lobo em pele de cordeiro”, escorrega, e é seduzida por seu chefe. E segue num mar de mentiras e dúvidas.

O longa não tem uma grande direção de arte, nem uma ousada direção, mas conta com grandes atores, e uma boa narrativa, possível de se encontrar uma verídica semelhante. Pode-se dizer que é um bom folhetim. Como se fosse um capítulo de uma novela da vida cotidiana. Os capítulos anteriores e posteriores são contados na nossa mente, com extrema liberdade que nos dá a diretora / roteirista, Anne Le Ny. É problema nosso imaginar o antes e o depois.

Destaque também para o ator José Garcia (que interpreta Thomas, o chefe de Maria), que trabalhou perfeitamente as nuances da personagem. E não menos precisa, Vanessa Paradis, com sua Anaëlle, pivô da discórdia, consegue uma interessante virada ao final da produção.

A diretora Anne Le Ny soube aproveitar o que de melhor tinha em seu elenco. Esse é seu mérito, por eles e graças a eles. E, apesar de se repetir em personagens que sofrem com abusos e violência sexual, Élodie Bouchez conseguiu criar e recriar novas facetas e transmitir sua mensagem.

A tensão auto imposta, a perturbação mental adquirida por si mesma, e a hipocrisia indispensável são condições da vivência de Marie, mas que exigem profundidade na interpretação. Seus dramas internos são fio condutor de “Fora de Controle”, que, sem uma atriz experiente e uma direção cuidadosa, não causaria impacto no público.

por Carlos Marroco – especial para A Toupeira

*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Califórnia Filmes.

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