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Crítica: “Todo Mundo em Pânico”

“Estamos de volta!”

Na extensa história da indústria cinematográfica, é seguro dizer que não há um título ao menos, que tenha agradado a todo tipo de público. Consciente disso e sabendo com exatidão qual parcela de espetadores atingir (para o bem ou para o mal), “Todo Mundo em Pânico” (Scary Movie) estreia nos cinemas apostando na ousadia limítrofe que define os títulos anteriores.

Marcando o retorno da franquia, após um hiato de 13 anos, a comédia dirigida por Michael Tiddes é uma tentativa de recuperar a graça inicial, quando o humor escrachado e o roteiro corajoso (até em demasia) não poupavam ninguém – o que se mantém como um aviso (óbvio, é verdade), de que os sensíveis a determinadas pautas, provavelmente não vão aceitar certas decisões do roteiro.

Não existe (e nem seria necessário haver) uma explicação lógica para a maioria das coisas apresentadas. O que talvez fosse um entrave em outro tipo de produção, mas que continua sendo um dos grandes acertos da franquia. Na trama escrita por quatro dos irmãos Wayans (Marlon, Shawn, Keenen Ivory, Craig) e Rick Alvarez, o destaque é o retorno no quarteto original, sem a preocupação de esclarecer como figuras que morreram em algum longa antecessor, surgem tão ou mais engraçadas.

O vilão Ghostface (sempre ele) está de volta, assim como Cindy Campbell (Anna Faris) – uma das final girls mais bacanas e autênticas das telonas; Brenda Meeks (Regina Hall) – não apenas viva, mas carismática como sempre; Shorty Meeks (Marlon Wayans) – que descobre um jeito bem peculiar – entenda-se fácil – de ganhar dinheiro, entre um baseado e outro; e Ray Wilkins (Shawn Wayans) – que, mesmo após tanto tempo, continua negando algo todos já sabem sobre sua orientação sexual.

Mostrando o porquê dos protagonistas originais merecerem estar no comando, a obra ainda conta com divertidas participações de outros personagens já conhecidos – parte vista nos materiais de divulgação, parte inédita. Também há a introdução da chamada “nova geração”, uma espécie de sucessores “naturais” dos veteranos – ou quase isso. Entre os novos rostos, as duas filhas de Cindy, Sara (Olivia Rose Keegan) e Waldinha (Savannah Lee Nassif); e os filhos de Brenda, Dey (Sydney Park) e Brad (Gregg Wayans).

A sátira a títulos de gêneros variados segue como o motor do enredo. O que teve de relevante na última década é lembrado a partir de abordagens absurdas, mas reconhecíveis com facilidade. A maioria funciona e gera sequências que garantem risadas genuínas. É claro que reconhecer o vasto material base da narrativa ajuda a perceber a qualidade do trabalho feito pelos roteiristas. Porém, mesmo quem não tiver afinidade com tais conteúdos originais, deve se divertir com a ideia da proposta em si.

A promessa de diversão sem limites é cumprida e, justamente esse, pode ser o risco máximo do filme. Porque desde a estreia de seu primeiro capítulo em 2000, muita coisa mudou – não só no que diz respeito ao pensamento, mas à facilidade de expressão do público. Por sorte, esse não parece ser um obstáculo a uma equipe criativa que, em suas próprias palavras, se propõe a “cancelar a cultura do cancelamento”.

Engraçado, imprudente e atrevido, “Todo Mundo em Pânico” tira o peso do politicamente correto imposto (com mais afinco) às comédias atuais e deixa no ar uma importante questão: “Qualééééé???”.

Importante: Há duas cenas adicionais durante os créditos finais.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Paramount Pictures.

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