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Crítica: “Trago seu Amor”

“Esse amor vale o risco?”

Muitas vezes, o término de um relacionamento é um momento doloroso, especialmente quando uma das partes envolvidas não está de acordo em dar um ponto final à história. É aí que, em um ato desesperado (por assim dizer), entram os profissionais que prometem reatar os laços rompidos e fazer com que os sentimentos se renovem.

Esse é o trabalho da estilosa Mia (Giovanna Grigio), protagonista da comédia romântica nacional dirigida por Cláudia Castro, “Trago seu Amor”. Auto-intitulada “Bruxa do Beijo” e com uma lábia bastante convincente, ela oferece a seus (muitos) clientes a oportunidade de recuperar seus parceiros, a partir de uma inusitada maneira: ela deve beijar a pessoa a ser enfeitiçada.

O problema é que o resultado positivo não é garantido, já que dois quadros podem se estabelecer: ou o “alvo” voltará a relacionar-se com quem buscou auxílio em seus dons sobrenaturais, ou se apaixonará imediata e irrevogavelmente pela bruxa, tornando-se o que ela chama de “Miado”, situação que lhe proporciona benefícios variados.

Disposto a tentar a sorte, Yuri (João Manoel) vai até o Templo do Divino Amanhecer – residência de Mia e local em que acontecem os atendimentos – a fim de reconquistar sua (agora quase ex) namorada, Renê (Jê Soares), antes que ela deixe o país e embarque  em uma viagem de mudança para Londres.

O que ninguém imaginava é que a própria Mia, que se mostrava tão independente e pouco interessada em abrir seu coração, se apaixonaria por aquela a quem deveria enfeitiçar. E, pela primeira vez em sua vida, a jovem bruxa se vê sem saber como agir diante de sentimentos (naturalmente recíprocos) que nunca esperou ter e que não consegue controlar.

Escrita por Letícia Fudissaku, com a colaboração de Júlia Tavares, a trama – ainda que englobe elementos extraordinários – é bem descomplicada e se faz entender desde os primeiros minutos de filme. Já a previsibilidade da história, mesmo se mantendo na maior parte das resoluções, é surpreendentemente quebrada em certo momento que leva determinadas figuras em uma direção diferente da que parecia ser a óbvia.

Enquanto o carisma dos personagens principais – incluindo a este grupo o sempre ótimo Diego Martins, no papel de Ariel, escudeiro e assistente de Mia – ajuda a esconder o que talvez seja o único porém do longa: apesar da diversidade de clientes que buscam a felicidade (mesmo que seja conquistada de maneira duvidosa), nem todo mundo poderia ser enfeitiçado. O motivo para isso é simples: a orientação sexual de cada um acabaria interferindo na capacidade da bruxa de consumar o ato de beijar alguém na boca.

Mas, felizmente, nem tudo precisa ou deve fazer sentido em uma obra de ficção e, no geral, em 78 minutos de duração, “Trago seu Amor” entrega bons momentos, regados a uma trilha sonora que prioriza obras nacionais – com destaque à “Maresia” de Rachel Reis.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela H20 Films.

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