
“Como escrever uma música sem você?”
Particularmente, eu adoro assistir a filmes que parecem ter pouco a entregar (o que não significa, em absoluto, que são ruins), e acabam surpreendendo graças a uma história que consegue encontrar um equilíbrio singular.
As artes / vídeos de divulgação de “Hit para Dois” (Power Ballad) me passaram a impressão que seria apenas mais uma comédia inofensiva, daquelas que gostamos de assistir de vez em quando. Mas, o longa dirigido por John Carney (também à frente do roteiro junto a Peter McDonald e responsável pela trilha sonora original, ao lado de Gary Clark), é muito mais do que isso.
A trama tem início na Irlanda, onde o americano Rick Power (Paul Rudd) reside há 15 anos, com a mulher, Rachel (Marcella Plunkett) e a filha, Aja (Beth Fallon). Agora na meia idade, ele ganha a vida como vocalista da “Groove do Altar”, banda amadora que toca em festas de casamento, reproduzindo conteúdo de grandes nomes da indústria musical. Como dito em determinada cena, eles não são rockstars; são playlists ambulantes.
O sonho de compor uma canção que alcançasse êxito mundialmente teve que ser colocado debaixo das responsabilidades assumidas ao decidir formar uma família. Mas, o que parecia enterrado em definitivo, volta à tona quando ele e os amigos vão se apresentar numa grande celebração de matrimônio em um castelo.
Entre os convidados, está Danny Wilson (Nick Jonas), amigo do noivo e ex-integrante da boy band, Impossível. Aos 27 anos, com a carreira estabelecida o bastante para levar uma vida de luxo e glamour, o cantor / compositor quer retornar aos palcos e holofotes. Para isso, precisa de algo único, que cause impacto verdadeiro em uma indústria na qual o descartável dá o tom.
Durante um momento regado a álcool e cigarros ilícitos, Rick e Danny percebem ter algo em comum: o imenso amor pela música. De um lado, alguém que viu qualquer chance se perder com o passar dos anos e o abraço apertado da rotina; de outro, quem já esteve no topo, experimentou o gosto do triunfo e não sabe como viver sem esse combustível.
É quando a improvável dupla compartilha ideias (sem nenhuma pretensão) e Rick conta que há 13 anos, iniciou a composição de uma faixa inédita. Ao ouvir parte dela, Danny percebe a qualidade do material e, posteriormente toma uma decisão bastante questionável.
Seis meses depois, “How to write a song without you” é um sucesso global que reacende o interesse do público pelo astro Danny Wilson, visto como o sensível compositor da canção que passa a embalar os mais diversos tipos de relacionamento.
Provar que teve seu trabalho roubado será a missão de Rick, cuja afirmação é desacreditada não só pelo inescrupuloso empresário Mac (Jack Reynor), mas, pela própria esposa, filha adolescente e amigos próximos, culminando em sua demissão da banda.
Ao lado do peculiar Sandy (Peter McDonald) – único que acredita em sua palavra -, ele vai para Los Angeles, visando o ganho financeiro por direitos autorais. Mas, acima de tudo, em busca da dignidade perante quem nunca acreditou que seu talento poderia ocupar um espaço muito maior do que os limitados palcos dos salões de festas particulares.
Tão emocionante, quanto divertido, “Hit para Dois” conquista o público com facilidade, ao estabelecer comportamentos e valores morais dos personagens desde o início. Quem já sofreu algum revés profissional deverá se identificar com a jornada de Rick, que assume o lugar de uma das figuras mais bacanas do ano nas telonas, até o momento.
Vale muito a pena conferir.
*Lembrando que há cenas durante os créditos e que é uma boa chance para aproveitar mais um pouco a ótima trilha sonora da produção.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Diamond Films.


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