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Crítica: “Toy Story 5”

“Por que ninguém quer ser meu amigo?”

Entre tantas memórias incríveis que guardo de minha longa relação com o cinema, o final de “Toy Story 3” está entre as mais queridas. Porque, de alguma maneira, esse adeus, mesmo que dolorido, conseguiu me marcar para sempre.

Compreender a necessidade de se fazer outros capítulos não foi fácil para mim. Tanto que, “Toy Story 4” é o único da saga dos icônicos brinquedos que vi apenas uma vez (justamente por acreditar que a trilogia “original” já era suficiente).

Sete anos depois da quarta aventura de Woody e companhia, chega aos cinemas a nova aposta da Pixar para manter a franquia relevante àqueles que já a acompanham há três décadas, assumindo também a sempre complicada tarefa de conquistar novas (e tão díspares) gerações posteriores.

Deixando de lado minha desconfiança prévia, é possível dizer que “Toy Story 5” não apenas é sublime: é necessário. Isso se deve à coragem (e à sabedoria) para tratar de um tema delicado, mas para o qual é impossível virar as costas: a introdução precoce da tecnologia em nossas rotinas.

Na trama, Bonnie Anderson (voz de Scarlett Spears na versão original / Júlia Paciello, na versão dublada) – agora com oito anos – ainda faz o que todos dessa idade deveriam, mas que tem se tornado cada vez mais raro: Brincar. No sentido mais amplo da palavra, com brinquedos reais e dando asas à imaginação para criar as mais divertidas histórias.

Aliás, esses momentos são lindamente retratados através do uso de outro tipo de animação, com um toque mais lúdico e que remete a um universo de beleza e encantamento, no qual é viável celebrar casamentos, trabalhar como agente secreto ou descobrir o culpado de um envenenamento, com a mesma destreza.

Porém, a verdade é que nos dias atuais, muitas conexões parecem fadadas a perder seu real significado, com a aproximação virtual muitas vezes culminando em um afastamento físico que assusta quando olhamos para a questão com sinceridade.

Sem habilidades sociais, Bonnie é uma menina solitária, que não se sente segura em interagir com outras crianças. Mas, tudo muda quando ela ganha Lilypad (Greta Lee / Maísa Silva), um tablet infantil, através do qual começa a se comunicar com outras usuárias de seus programas.

O que seria ótimo, se não fosse o fato da garotinha deixar de lado todo o resto que a cerca, para dedicar-se apenas aos conteúdos promovidos pelo aparelho. Ficar vidrada diante da tela, à espera de validação, passa a ser sua nova realidade.

Mostrar à pequena protagonista o quanto há no mundo, além de um amontoado de pixels, é o compromisso que Jessie (Joan Cusack / Mabel Cezar) assume. Ela sabe a importância de viver a infância com plenitude e não aceitará perder o amor de sua criança, enquanto ainda houver uma faísca de criatividade em seu coração.

Durante a busca pela amiga perfeita, Jessie e Bala no Alvo conhecerão figuras inusitadas: Atlas (Craig Robinson / Anderson Araújo), Clica (Shelby Rabara / Jéssica Vieira) e Amigo Rolinho (Cona O’Brien / Rafael Infante) – este, a maior adição à narrativa, com seu jeito irônico e divertido. Assim como terão uma nova percepção sobre a inevitabilidade da tecnologia e como adequar-se a (e apesar de) ela.

Com os holofotes (merecidamente) direcionados à corajosa vaqueira, os demais personagens adorados da história também encontram seu espaço em tela. Com destaque para Buzz Lightyear (Tim Allen / Guilherme Briggs), que precisa encarar aquela que talvez seja a missão mais importante de sua vida.

E, é claro, o sempre carismático, Woody (Tom Hanks / Marco Ribeiro), cujo retorno surpreendente (após os eventos do longa anterior) se prova um grande acerto e uma linda homenagem aos espectadores que, tal qual Andy, cresceram junto à franquia.

O roteiro escrito por pelo diretor Andrew Staton e pela co-diretora McKenna Haris é impecável. São doses exatas de nostalgia e novidade, que proporcionam diversos sentimentos no público e provam que, quando a Pixar acerta, lágrimas, aplausos e sorrisos surgem naturalmente.

No fim das contas, “Toy Story 5” me fez lembrar de uma de minhas frases favoritas – que não tem sua autoria confirmada, sendo atribuída a vários autores: “Não paramos de brincar porque crescemos. Nós crescemos porque paramos de brincar”.

Que não nos falte coragem para amadurecer. Mas que tenhamos sabedoria para não esquecer que o brilho nos olhos sempre será mais valioso do que o brilho das telas.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Walt Disney Studios Br.

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