You are here: Home // Livros // Resenha: “Hiperfoco Natural”

Resenha: “Hiperfoco Natural”

Crédito: Angela Debellis

“A lógica do cérebro desregulado é uma lógica de limites biológicos ultrapassados. Não é fraqueza sua. É excesso do mundo.” (pág.20)

Houve uma época (nem tão longínqua assim), quando acreditávamos que 24 horas diárias eram suficientes para a execução de todas as tarefas às quais nos propúnhamos.

Mas, esse quadro já não corresponde à realidade atual e ao mundo em que vivemos, onde somos bombardeados com muito mais tópicos, ideias e argumentos do que somos capazes de dar conta.

A mesma sociedade que nos cobra foco e atenção é a que promove um turbilhão de informações (muitas nem ao menos relevantes) e o acúmulo de pendências que nos fazem perder o controle sobre nossos compromissos pessoais e profissionais.

Com isso em mente, e com meus pensamentos, se passando na velocidade da luz, me propus a fazer a resenha de “Hiperfoco Natural”, obra escrita pelo neurologista e neurocirurgião Dr. Paulo Porto de Melo e lançada pela Letramais Editora, que visa auxiliar o leitor que assim como eu, busca o equilíbrio necessário entre eficácia e qualidade de vida.

Crédito: Angela Debellis

“A falta de foco, que é o tema deste livro, não é uma falha!” (pág. 24)

De modo didático (mas, de fácil compreensão), o autor traz dados científicos sobre assuntos como a chamada Síndrome do pensamento Acelerado (SPA), razão pela qual tantas pessoas acreditam – muitas vezes de maneira equivocada – precisar de respostas mirabolantes ou tratamentos complicados para voltar a ser produtivas.

Também somos convidados a enxergar determinadas ações de nosso cérebro com mais delicadeza, e aprender a deixar de lado a sensação de que estamos praticando a auto sabotagem, quando, na verdade, tentamos apenas nos proteger.

Conforme a leitura avançava, eu que abri o livro com certa vergonha de mim mesma, por me julgar incapaz de reagir como deveria diante de muitas aflições que povoam meu cérebro, me vi representada pelo conteúdo de cada página.

Sintomas deixaram de ser considerados “estranhezas”, para se tornar um padrão válido, e que, embora improvável à primeira vista, acabou me parecendo mais cabível do que eu poderia esperar.

“A mensagem mais importante deste livro é que você não está quebrado(a), mas sobrecarregado(a) e essa sobrecarga é reversível.” (pág. 46)

Aceitar que algumas dores que aparentam ser exclusivas (afinal, em vários momentos olhamos somente para o interior de nosso próprio mundo) e que nem sempre conseguiremos alinhar vontades e deveres não é das tarefas mais simples. Ainda mais para quem já convive com essa dificuldade há uma eternidade (sim, é como me sinto).

Mas, talvez seja justamente essa percepção que, de algum jeito, poderá servir de estímulo para colocar em prática o que “Hiperfoco Natural” nos orienta a fazer. Uma coisa de cada vez, um dia após o outro.

Enfim, o livro mostra-se interessante do início ao fim e a leitura mantém uma fluidez que ajuda a aumentar a relevância de cada palavra nele escrito. Manterei meu exemplar por perto, para lembrar-me de que, mesmo quando não acredito na melhora, essa falta de foco é passageira e que sou muito maior do que ela.

por Angela Debellis

comment closed

Copyright © - 2008 A Toupeira. Todos os direitos reservados.