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Como a ciência explica por que precisamos da arte?

Créditos: Divulgação / Filipe Salles

Dizer que as manifestações artísticas são importantes para a sociedade é uma redundância. Mas por que a arte é necessária? O que faz com que ela seja tão essencial ao ponto de existir – e sempre ter sido criada – em qualquer tempo e espaço? Foram esses questionamentos que moveram Filipe Salles, professor e pesquisador da Universidade Estadual de Campinas, a defender uma tese inédita em “Harmonia Mundi: uma visão integradora da Arte e da Ciência”.

Além de compreender a importância da arte no mundo, o autor busca explicações para um grande incômodo que o seguiu durante sua carreira: por que existem obras cuja qualidade é incontestável? Ainda que o gosto exista, é impossível negar a excelência das músicas do Beethoven, ou das peças do Shakespeare, por exemplo.

Fruto do trabalho de Livre-Docência na Unicamp, Filipe Salles apresenta uma metodologia sistêmica transdisciplinar para responder a algumas das perguntas mais prolíferas da filosofia da arte. De acordo com o escritor, que também é fotógrafo, cineasta, artista visual e filósofo, a explicação está na ciência.

O final desta digressão parece ser a conclusão que há um fator que nos une nisso tudo: […] a busca pela Harmonia, a integração total com a Natureza, da qual somos parte. […] Em suma, falamos de uma síntese energética que nos motiva a fazer o que fazemos, e rege o universo como uma grande unidade, e neste ponto temos que admitir: há inteligência no Universo (ou teríamos que supor que nós somos mais sofisticados que a própria Natureza de onde viemos) em graus provavelmente ainda não passíveis de imaginar, mas que podemos sentir através dessas representações, e que nos conectam com os modelos maiores que conseguimos conceber deste Universo. Eis a Estética, eis a Arte. (Harmonia Mundi, p. 333)

O professor universitário divide a publicação em duas partes. No primeiro capítulo, o objetivo é defender como a metodologia científica pode ser aplicada para uma análise da arte; no segundo, explora as origens da produção artística na história da humanidade.

No intuito de analisar os fenômenos como um todo, a obra se baseia na teoria sistêmica, cunhada pelo biólogo Ludwig von Bertalanffy. Nesta perspectiva, nenhum organismo está isolado no mundo, porque ele se conecta a partes interdependentes que envolvem diferentes aspectos e áreas de conhecimento.

Além disso, também se aprofunda no teorema da incompletude, do lógico e matemático Kurt Goedel, cuja premissa reside no fato de que um sistema não pode ser comprovado dentro dele mesmo sem incorrer à inconsistência.

Filipe Salles une essas visões, utilizadas nas ciências exatas e biológicas, com os arquétipos de Carl Jung. Segundo o psiquiatra e fundador da psicologia analítica, existem imagens universais que se manifestam de diversas maneiras na sociedade e que fazem parte do inconsciente coletivo – a camada mais profunda da mente, herdada dos ancestrais e compartilhada entre todas as pessoas.

“A criação artística é um processo natural e absolutamente necessário, que não apenas contempla a regulação psíquica proposta inicialmente por Jung, mas que também a ultrapassa, na medida em que a troca sensível entre a representação de um arquétipo na obra e uma vivência emotiva nos dá como resultante uma experiência sensível real, que, quando combinadas a aspectos de predisposição psíquica, são capazes de alterar o curso de nossa vida. Essa é a experiência estética”, afirma o autor.

Ficha Técnica:

Título: Harmonia Mundi

Subtítulo: uma visão integradora da Arte e da Ciência

Autor: Filipe Salles

Editora: FoxTablet

ISBN: 978-6583368676

Páginas: 384

Preço: R$ 24,99 (e-book)

Onde comprar: Amazon

da Redação A Toupeira

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