“Vamos fugir do planeta.”
Quem vê a popularidade do termo “Nerd” hoje em dia, com figuras aclamadas por milhões de seguidores nas redes sociais, e eventos que atraem públicos cada vez maiores, pode não acreditar que essa definição era extremamente pejorativa há alguns anos.
A confiança para tratar assuntos como “Quem venceria uma corrida: Superman ou Flash” ou “Como o Homem Invisível faz para se alimentar sem que a comida seja vista?” era substituída por um acanhamento que distanciava esse grupo dos demais – fosse no colégio, no trabalho ou no âmbito familiar.
Na comédia nacional “Cansei de ser Nerd”, o protagonista é Aírton (Fernando Caruso), que, mesmo sem estar completamente certo de decisão, precisará enfrentar fantasmas do passado se quiser fazer as pazes consigo mesmo e, quem sabe, retomar coisas que se perderam no caminho.
Com isso em mente, ele aceita o convite para uma festa que marcará o reencontro de sua turma de faculdade, após duas décadas. Nesse cenário, pretende não apenas rever sua paixão / ex-namorada de adolescência, Juliana (Bia Guedes), mas tentar reconquistá-la.
Assim como também almeja provar sua inocência, já que foi injustamente acusado de participação no desaparecimento (e suposto assassinato) de outra colega da época, Solange (Renata Canossa)
Missão definida, é hora de convencer seu melhor (único) amigo, Ulisses (Pedro Benevides) a acompanhá-lo ao evento. Nada que não possa ser conseguido através de uma divertida barganha envolvendo itens colecionáveis que fariam a alegria de muitos nerds por aí.
Se um reencontro do gênero já não parece ser uma ideia muito promissora (e, lá no fundo, nós sabemos que é verdade), imagine se esse for o palco para algo muito maior, perigoso e totalmente fora de qualquer coisa que a sinopse do filme dê a entender – mesmo que seja classificado como uma mistura de comédia, ficção científica e suspense.
Para quem já sofreu bullying em algum momento da vida, ficar – por livre e espontânea vontade – diante dos chamados valentões não é uma decisão das mais fáceis, ainda mais quando há a confirmação de que eles tiveram muito mais êxito em suas jornadas. Porque, como bem lembrado por Juliana, “Quem bate, esquece, quem apanha, lembra”.
Mas, o roteiro de Renato Fagundes, Thaisa Damous, Luiz Noronha e Gualter Pupo (este, também estreando na direção), sabe dosar a seriedade para tratar a intimidação sofrida por Aírton e a esperteza em fazer de seus conhecimentos geek, a chave para resolver as mais variadas questões.
Como já era de se esperar, o grande destaque do longa são as boas referências a assuntos da cultura pop, que acabam servindo de régua para os espectadores medirem seus níveis de “nerdice”.
“Cansei de ser Nerd” resulta em uma produção que, sem deixar sua maior característica (o protagonismo dos “excluídos”), até sabe conversar com o público em geral, mas que deve encontrar melhor recepção entre os que obviamente sabem que Han atirou primeiro ou que Thanos sempre teve razão.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela H2O Filmes.


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