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Crítica: “Davi: Nasce um Rei”

“A nossa verdadeira batalha não é em nossa carne e osso, mas sim em nossos corações.”

Contar histórias atemporais e conhecidas por grande parte dos espectadores é um dos grandes desafios de cineastas que se propõem a fazê-lo de maneira tão inédita quanto possível.

Passagens Bíblicas podem parecer complicadas de se entender, à primeira vista, por aqueles que não seguem uma religião na qual a leitura da Bíblia seja algo comum. Transformar parte de tal conteúdo em obras acessíveis a pessoas de todas as idades faz com que ganhem dimensão e importância ainda maiores.

Em “Davi: Nasce um Rei” (David), a trajetória do humilde pastor (voz de Brandon Engman, na versão original) que venceu o Gigante Golias (Kamran Nikhad) – tal feito passou a simbolizar momentos de nossas vidas quando temos êxito sobre grandes problemas – é contada de forma a nos mostrar detalhes de sua jornada pautada na fé em Deus.

O roteiro é baseado nos 1º e 2º Livros do Profeta Samuel (Brian Stivale), responsável pela unção de Davi, que deu ao jovem filho de Jessé (Hector) e Nitzevet (Miri Mesika) a responsabilidade de tornar-se, quando adulto (nessa fase, com voz de Phil Wickham), o próximo Rei de Israel.

Obviamente, por tratar-se de um título voltado a todas as faixas etárias, o texto original é bastante suavizado, incluindo o desfecho do embate entre Davi e um leão que ataca seu rebanho de ovelhas. Mesmo com uma grande modificação, a moral permanece relevante e válida – o que faz com que outras alterações também possam ser vistas como aceitáveis e até mesmo necessárias, para o êxito da proposta.

A proximidade do protagonista com Rei Saul (Adam Michael Gold) serve como um importante elemento para traçar a diferença entre os personagens. Enquanto o soberano mostra-se, de certo modo, obcecado pela manutenção de seu cargo de poder, o pastor – já ciente de seu futuro como governante – acolhe a vontade de Deus e leva uma vida mais leve (na medida do possível) e repleta de uma inabalável crença.

A guerra contra os filisteus liderados por Aquis (Asim Chaudhry), a  – resumida, mas ainda impactante – perseguição no deserto, a aceitação de um destino escrito por uma força maior. São vários os momentos em que “Davi: Nasce um Rei” demostra eficiência ao retratar em tela.

Dirigida por Phil Cunningham e Brent Dawes (também co-roteirista junto a Kyle Portbury e Sam Wilson) e, a animação abraça ideia de trazer sequências musicais para ajudar a contar certas passagens.

O que culmina em uma ótima trilha sonora original – assinada por Joseph Trapanese – com canções que emocionam por suas letras e melodias. Destaque para a belíssima “Tapeçaria”, executada por Davi e sua mãe Nitzevet, em um dos mais belos cenários da produção.

No geral, seria injusto afirmar que a história perde relevância pela decisão de torná-la mais palatável ao público em geral. A verdade é que a Bíblia – o livro mais vendido de todos os tempos – não é composta por textos fáceis e é preciso grande dedicação para compreender seu conteúdo.

Por isso, entregar um resultado que possa tocar corações dispostos a, em algum momento, aprofundarem-se na Palavra, é algo a ser celebrado. Afinal, como afirma David, em determinado momento do longa: “Eu prefiro me arriscar seguindo a luz, a viver no escuro”.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Heaven Content.

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