“Eu quero ajudar o mundo.”
Meu amor por ficção científica é (muito) antigo. Eu estava no cinema quando “ET – O Extraterrestre” levou para as telas a amizade entre o alienígena do título e o jovem Elliott (Henry Thomas), que marcou minha infância e me fez olhar com esperança para o céu, desejando que algo semelhante também acontecesse para mim.
Amigos improváveis nesse gênero cinematográfico não são incomuns. Exemplos clássicos podem ser definidos através de séries como “Star Trek”, onde temos Capitão Kirk (William Shatner) e Sr. Spock (Leonard Nimoy) e “Star Trek: A Nova Geração”, com Capitão Picard (Patrick Stewart) e Data (Brent Spiner).
Assim como na franquia “Star Wars”, onde Han Solo (Harrison Ford) e Chewbacca (Peter Mayhew), Luke (Mark Hamill) e Mestre Yoda (voz de Frank Oz) vivem grandes momentos.
Escrever seu nome em uma seleção desse nível não é tarefa fácil. Mas, felizmente, é possível. E é isso o que a emocionante narrativa de “Devoradores de Estrelas” (Project Hail Mary) nos prova.
Baseada no livro homônimo de Andy Weir, lançado em 2021, a história tem como protagonista o Dr. Ryland Grace (Ryan Gosling). Levando uma vida sem nenhuma motivação, na qual a única prioridade é seu trabalho como professor de ciências em um colégio, ele vê tudo mudar a partir de uma inesperada convocação.
Seu Doutorado em Biologia Molecular faz com que seja visto como alguém relevante na busca por entendimento do que acontece no mundo, a partir da constatação de que estranhos pontos espaciais (que ganham a alcunha de “astrofágicos”) estão comendo o Sol. O que levará a uma catástrofe de escala global nos próximos 30 anos, com a extinção de boa parte da vida no planeta.
Quando um acidente impede a formação original da tripulação que se voluntariou a viajar ao espaço (até o Sistema de Tau-Ceti, único resistente aos perigos da astrofagia), mesmo ciente de que não teria como voltar a Terra, Grace torna-se um dos membros da expedição, única esperança para tentar impedir um futuro tão hostil.
Ao acordar sem memória, na nave – após um longo período em coma induzido – o “astronauta forçado” descobre que seus companheiros no Projeto Hail Mary faleceram e que ele está isolado no meio do espaço, sem perspectivas de resgate ou retorno.
Tudo parece perdido, até que algo inacreditável acontece: a descoberta de uma criatura alienígena, em situação semelhante à sua. O temor inicial logo dá espaço à possibilidade de estabelecer comunicação e, por consequência, dar início a um trabalho em conjunto, com uma finalidade em comum: encontrar os devoradores que também estão dizimando Eridani, o planeta natal do agora nomeado Rocky (movimento e voz de James Ortiz).
A convivência da dupla é daquelas coisas que me fazem lembrar o motivo de tanto amar o cinema e a literatura. A disposição em aprender e ensinar sobre as próprias culturas, o respeito pelos hábitos que podem parecer estranhos a quem não os pratica, a amizade que germina no terreno da incerteza que domina seus pensamentos.
Tudo é sublime na obra dirigida por Phil Lord e Christopher Miller. Visualmente deslumbrante, com efeitos que levam o espectador a acreditar na existência de um alien feito de pedra com mais sensibilidade do que muitos indivíduos de carne e osso, o filme que mescla ficção científica, drama e suspense também se destaca pela qualidade do roteiro escrito por Drew Goddard.
Em 156 minutos de duração, oscilações na trama seriam plausíveis. Mas, o grande feito do longa é, não apenas manter-se, mas tornar-se mais interessante conforme o tempo passa. Quando os créditos finais surgem em tela, entre lágrimas e sorrisos, a sensação é a de querermos seguir a viagem junto aos personagens.
Concebido para ser visto em IMAX, “Devoradores de Estrelas” faz jus a tal indicação. Não só porque suas imagens são impecáveis, mas porque seu som (ou a falta dele – afinal, como bem sabem os fãs de ficção, no espaço, o som não se propaga) e sua trilha sonora (composta por Daniel Pemberton) merecem ser apreciados com a qualidade oferecida por esse sistema de projeção.
Absolutamente Imperdível.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Sony Pictures.


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