
“Não tenha medo do que você não conhece.”
Com a recente divulgação de documentos oficiais pelo governo americano e a ânsia por popularidade – advinda de filmagens de qualidade duvidosa, compartilhadas em redes sociais -, assuntos relacionados à suposta existência de alienígenas não só estão em alta, como dão indícios de que permanecerão cada vez mais relevantes.
É sob essa perspectiva que chega aos cinemas “Dia D” (Disclosure Day), novo trabalho de Steven Spielberg (também responsável pelo roteiro junto a David Koepp), quarta incursão do diretor na temática de criaturas de outro planeta que vem a Terra – com boas ou más intenções.
A trama nos apresenta Daniel Kellner (Josh O’Connor), doutor em cibersegurança contratado pela Wardex Corporation – organização secreta liderada pelo temível CEO, Noah Scanlon (Colin Firth) – devido a seu talento como hacker (que o levou à prisão por crimes cibernéticos) e notável desenvoltura com matemática.
Depois de anos trabalhando nas sombras, ele decide que determinados arquivos sigilosos devem ter seu conteúdo liberado para o mundo. O assunto principal: o conhecimento do governo americano quanto à existência e vinda de extraterrestres ao nosso planeta, compilado em 79 anos de história, desde o Caso Roswell, em 1947.
A seu lado nessa complicada missão, está apenas o ex-líder de operações biológicas da Wardex, Hugo Wakefield (Colman Domingo), disposto a ajudar na disseminação do material, por acreditar que é direito de todos saberem a verdade que se esconde por trás de um assunto considerado tantas vezes absurdo, e até digno de risos por leigos.
Tentando não ser capturado enquanto foge com a namorada, Jane (Eve Hewson), Daniel nem imagina que do outro lado do país, em Kansas City, a meteorologista de tv, Margaret Fairchild (Emily Blunt) acaba de ter incríveis habilidades psíquicas desbloqueadas. Tal fato ocorre, após uma visita muito especial, quando passa a falar qualquer idioma com fluência e ter a capacidade de “ler as pessoas”, acessando memórias particulares.
Embora tenha magníficos elementos relacionados à ficção científica (exaltando a sensível explicação sobre a aparência adotada por aliens, quando entram em contato com humanos, para não causar temor), é no quesito suspense que o longa ganha força.
E isso talvez não agrade parte do público (que espera a aparição imediata de criaturas interestelares e ruidosas batalhas cósmicas de luz dominando a superfície durante toda a projeção). Porém, é uma decisão corajosa e que muito acrescenta ao resultado final.
Acompanhar a jornada de Daniel – inclusive quando suas intenções são postas em dúvida por sua namorada / ex-noviça – que presume que os alicerces da fé seriam abalados de maneira irrevogável – é extasiante. Assim como é o escalonamento das descobertas feitas pelo caminho, com destaque aos 30 últimos minutos, que devem permanecer na memórias de muitos espectadores, após a saída da sala de cinema.
Com 145 minutos de duração, o filme é um deslumbre visual, com a ótima fotografia de Janusz Kaminski. Já na área sonora, impacta com a execução orgânica da mensagem dita por Margaret (sem uso de nenhum tipo de Inteligência Artificial para recriar o dialeto), e com a primorosa trilha composta pelo genial John Williams.
Até onde nos é permitido saber, “Dia D” é uma obra ficcional, contudo, a excelência de seu roteiro e a realização em tela fazem com que o debate sobre a possível existência de outras raças interplanetárias não seja apenas válido, mas necessário.
Entretanto, quanto mais reflito sobre a postura geral da sociedade (em constante deterioração nos dias atuais), mais desoladora é a conclusão de que nem todos merecem saber a verdade. E menos ainda estão realmente preparados para ela.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Universal Pictures.


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