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Crítica: “Eles vão te matar”

“Rezem para que eu esteja disposta a perdoar.”

Pessoas que se tornam alvos do sadismo de fanáticos religiosos ou de indivíduos abastados que apenas se divertem com a desgraça de quem tem uma conta bancária menos numerosa, têm se tornado frequentes em um subgênero bastante popular entre as produções cinematográficas e televisivas.

O mais novo exemplar dessa leva é “Eles vão te matar” (They will kill you). Dirigido por Kirill Sokolov (também co-roteirista junto a Alex Litvak), o longa começa em Detroit e mostra duas irmãs – Asia (Zazie Beetz) e Maria (Myha’la) Reaves – fugindo de da violência de seu pai.

Um ato de desespero leva Asia a ser condenada a dez anos de prisão. Os acontecimentos principais da história se passam justamente após o cumprimento da pena e sua posterior soltura, quando consegue uma vaga de emprego como camareira.

Fundado em 1923 e localizado em Nova York, o Hotel Virgil – e sua imponente fachada, primeiro indicativo de que algo de muito duvidoso acontece em seu interior – é gerenciado por Lily Woodhouse (Patricia Arquette), mulher de aparência pouco amigável e que, nitidamente, esconde segredos sob a cordialidade artificial com que trata a protagonista.

As perigosas (e mortais) revelações têm início logo na primeira noite da jovem no local, quando tem contato com alguns dos hóspedes do estabelecimento, incluindo o cínico Kevin Sullivan (Ton Felton) e a persistente Sharon (Heather Graham). É quando a máscara de vulnerabilidade é deixada de lado para dar lugar a alguém com extrema habilidade em luta – seja com facões, machados incendiários ou mesmo com os próprios punhos.

A narrativa é repleta de nuances que, conforme se sobrepõem, geram um resultado que parece óbvio (até pela quantidade de informações disponibilizadas nos materiais oficiais de divulgação), mas que, felizmente, esconde muitas cartas na manga.

O roteiro é cheio de detalhes que acrescentam qualidade à trama. Entre eles: a debotada e quase ilegível etiqueta de “frágil” na mala de Asia, indicando que ela é bem mais resiliente do que parece; a cena que faz quem já tem receio de dormir com os pés descobertos e/ou para fora da cama sentir um grande arrepio; e uma sugestiva senha numérica que provoca aquele tipo de riso involuntário de nervoso no público.

Assim como uma sequência incrível envolvendo um olho humano, que deve entrar com facilidade para o imaginário dos espectadores que consomem esse tipo de obra que funde – com eficiência – terror, ação e comédia. Minha favorita absoluta.

Sem nenhum pudor em abraçar o absurdo, o filme oferece o que há de melhor quando se pensa no cinema de exageros, abusando de momentos explícitos, regados a violência estilizada e sangue cenográfico – de borrifos a jatos que parecem sair da tela.

Além da ótima trilha sonora de Carlos Rafael Rivera, o ritmo frenético também é estabelecido pelo trabalho de fotografia de Isaac Bauman e pela montagem de Luke Doolan, que encontram espaço para fazer um aceno a títulos asiáticos (e seus cortes peculiares) e a clássicos como “Evil Dead” – com a movimentação de câmera inconfundível de Sam Raimi.

“Eles vão te matar” é sangrento, divertido e ainda tem uma boa mensagem a ser passada. Vale a pena conferir.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Warner Bros. Pictures.

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