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Crítica: “Maldição da Múmia”

“Isso acabará rápido, Katie. Eu prometo.”

Revisitar monstros clássicos tem se tornado uma alternativa  recorrente no gênero terror. O que não quer dizer, necessariamente, que haja uma onda de falta de criatividade, mas sim, que determinados personagens têm uma mitologia tão rica, que merece ganhar os holofotes, de tempos em tempos.

É o caso da Múmia, que desde a década de 1930 (com o lendário Boris Karloff no papel principal do longa dirigido por Karl Freund), tornou-se um dos pilares quando se pensa em figuras emblemáticas do terror nas telonas.

Uma nova – e surpreendente – representação chega aos cinemas com “Maldição da Múmia” (Lee Cronin’s The Mummy) que, como o título original indica, é o novo trabalho do diretor Lee Cronin, que também é responsável pelo roteiro da obra.

A trama se inicia no Cairo e nos apresenta os Cannon, americanos que residem temporariamente no Egito, devido a obrigações de trabalho. O pai, Charlie (Jack Reynor) é correspondente de um canal de tv; a mãe, Larissa (Laia Costa) atua como enfermeira. O casal tem dois filhos: o mais velho, Sebastían (nessa primeira fase, vivido por Dean Allen Williams, posteriormente por Shylo Molina) e a, até o momento, caçula, Katie (Emily Mitchell).

Tudo parece bem na rotina deles, que têm perspectivas de voltar em breve aos Estados Unidos – uma vez que Charlie recebe uma proposta de emprego em um jornal de Nova York. É quando um pesadelo se instaura na vida dos personagens, com o desaparecimento da menina.

Mesmo com o empenho da polícia local – em especial da futura detetive, Zaki ((May Calamawy), o paradeiro da garotinha segue desconhecido por oito anos – período durante o qual os integrantes remanescentes da família voltam a morar na casa da mãe de Larissa, Carmen (Verónica Falcón). Assim como a, agora mais nova, filha do casal, Maud (Billie Roy).

Tendo as esperanças drenadas com o passar dos anos, o casal não imagina o que está para acontecer, quando recebe uma ligação afirmando que, finalmente, Katie (a partir desse ponto, interpretada pela ótima Natalie Grace) foi encontrada. O mais incrível de tudo: a jovem está viva, mesmo após todos esses anos trancada em uma espécie de sarcófago milenar.

Obviamente, tal experiência deixa marcas na agora adolescente, não apenas físicas, mas mentais. Se o visual grotesco impacta – uma vez que as tradicionais bandagens dão lugar à degradação física que acontece sob elas -, são as atitudes da personagem que deixam as coisas ainda mais desconfortáveis.

Katie sai de um estado quase completo de catatonia (resultado do que os médicos alegam ser “Síndrome do Encarceramento”), para ações que podem parecer inexplicáveis (dada sua aparência sobrenatural), mas que são devidamente explicadas no decorrer da narrativa.

E é isso que torna única a visão do filme, que, mesmo sendo sobre uma múmia, acrescenta elementos que costumam marcar presença em produções com narrativas voltadas a possessões e/ou rituais do tipo. Inesperada, porém, valorosa decisão.

Além das novidades no roteiro, o grande destaque vai para a coragem de trazer sequências absolutamente explícitas para as telas. Eu não tenho nenhum problema com o exagero típico do gore (inclusive, sou fã), mas confesso que senti um desconforto maior do que imaginava em alguns momentos.

Coisa que também aconteceu quando assisti a “A Morte do Demônio – A Ascensão”, longa anterior de Lee Cronin, aparentemente disposto a revigorar franquias. O que significa que há um alto padrão em seu trabalho, que atinge até mesmo quem é acostumado a cenas mais viscerais, quando não há o menor pudor em chocar o público.

Ao não recorrer a sustos fáceis, primando pela tensão constante na maior parte de seus 134 minutos de duração (que talvez pudessem ser reduzidos), “Maldição da Múmia” deixa de ser uma obra de terror “tradicional” e mostra forte inclinação para o ainda controverso horror corporal, explorado com bastante eficácia em cada detalhe.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Warner Bros. Pictures.

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