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Crítica: “Marty Supreme”

“Boa sorte no Campeonato. Espero que ganhe.”

Cinebiografias de esportistas, no geral, costumam mostrar-se mais interessantes àqueles que tem alguma familiaridade com o esporte retratado em tela. Por isso, não sabia exatamente o que esperar de um filme cujo protagonista – e, por consequência, sua trajetória – são baseados na vida de Marty Reisman, o mais velho jogador de tênis de mesa a vencer uma competição nacional de raquete, aos 67 anos.

Nova York, 1952. Esse é o palco no qual se desenrolará a surpreendente narrativa de “Marty Supreme” (Marty Supreme), pautada, em especial, na ambição – quase doentia – de seu personagem principal, em tornar-se, a qualquer custo, o número um entre os mesatenistas do mundo.

Aos 23 anos, Marty Mauser (Timothée Chalamet) tem sonhos muito maiores do que sua realidade comporta. O emprego de vendedor de sapatos na loja de seu tio, Murray Norkin (Larry Ratso Sloman), é visto como apenas um degrau para conseguir dinheiro suficiente e bancar sua viagem para Londres, onde acontece o British Open – torneio que pode lhe dar a sonhada visibilidade.

Enquanto almeja o sucesso, ele não mede esforços para alcançar seu intento. Mesmo que isso faça com que tenha ações bastante duvidosas em relação às pessoas que o cercam. Seja mantendo um relacionamento às escondidas com Rachel Mizler (Odessa A’zion), amiga de infância, presa em um casamento infeliz com o agressivo Ira (Emory Cohen); ou nas conversas fugazes e superficiais com sua mãe, Rebecca (Fran Drescher).

Sem contar a amizade dúbia com Dion Galanis (Luke Manley), jovem de família rica, que ocupa um espaço estranho no cotidiano de Marty, alternando entre o que parece ser uma de suas poucas amizades verdadeiras (fora a que preserva com o taxista Wally, interpretado por Tyler Okonma) e uma proximidade pautada apenas no interesse de como sua condição financeira pode auxiliar nos ambiciosos desejos do esportista.

Em sua jornada em busca de glória, reconhecimento (e, é claro, fortuna), Marty cruzará o caminho de figuras inesperadas: o influente milionário Milton Rockwell (Kevin O’Leary), dono de empresa de canetas que leva seu sobrenome; e sua esposa, Kay Stone (Gwyneth Paltrow), atriz que teve o auge de sua fama nos anos 1930 e que tenta reerguer sua carreira nos palcos.

Contudo, seus planos não saem como esperado e ele deverá se sujeitar a coisas que transitam entre aceitáveis (como apresentações com os populares jogadores de basquete Harlem Globetrotters) e humilhantes (representada em uma cena que promove uma franca reflexão sobre a posição real que ricos e pobres ocupam na sociedade).

Nesse ponto, já é possível afirmar que o longa dirigido por Josh Safdie (também co-roteisita junto a Ronald Bronstein) não tem o tênis de mesa como assunto principal – ainda que, de algum jeito, essa seja a proposta – o que transforma “Marty Supreme” em uma produção sobre alguém que não mede esforços para conseguir o que quer, independentemente do que isso possa afetar as demais pessoas.

Ainda que tenha boas sequências envolvendo o esporte – com destaque para o confronto com o campeão japonês Koto Endo (Koto Kawaguchi) – a trama passa mais tempo mostrando a escalada de golpes aplicados pelo protagonista, que mente / engana com a mesma (ou até mais) facilidade com que rebate a bolinha com sua raquete.

Vale ressaltar a qualidade da cenografia da obra que chega aos cinemas com vários prêmios já conquistados e nove indicações ao Oscar (incluindo Melhor Filme, Ator e Direção), que representa fielmente a época na qual a história acontece. E para a trilha sonora anacrônica, que, além do trabalho original de Daniel Lopatin, traz versões extravagantes de nomes como Alphaville, Tears for Fears e New Order.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Diamond Films.

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