Crítica: “Meu Sangue ferve por Você”

Em uma das mais emblemáticas passagens do livro “As Vantagens de ser Invisível”, de Stephen Chbosky, há a afirmação “A gente aceita o amor que acha que merece”. E, hoje em dia, minha impressão é que boa parte das pessoas (em especial as que pautam sua existência através da rotina de “celebridades” exaltadas em redes sociais) acredita que merece um amor bem superficial. Que bom que nem sempre as coisas foram assim.

Tanto em seu material promocional, quanto no início da projeção de “Meu Sangue ferve por Você”, o longa se define como uma “Fábula Magalesca”, o que por se só já deveria bastar para saber o que esperar do longa dirigido por Paulo Machline (também um dos roteiristas, ao lado de Roberto Vitorino, Thiago Dottori e Homero Olivetto).

E se a proposta era entregar uma mescla de acontecimentos reais (sim, existe amor à primeira vista e que dura mais do que uma temporada de série ou uma estação do ano) a recursos de fantasia “exagerada” vistos em títulos musicais, a boa notícia é que o filme cumpre seu intento.

Passada no final de 1979 em Salvador – Bahia, a trama nos mostra Sidney Magal (Filipe Bragança) “na crista da onda” (como se dizia à época), colhendo os louros de uma carreira – que completa 58 anos em 2024 – em franca ascensão. O romântico e sedutor cantor que leva multidões a seus shows e convive com as tentativas de aproximação constantes de fãs não poderia imaginar que seria flechado pelo cupido de modo irremediável.

Isso é o que acontece quando conhece Magali West (Giovana Cordeiro). A jovem não se mostra interessada em Magal (nem mesmo em suas músicas, as quais considera “divertidas, porque são bregas”), mas o que a princípio era um sentimento de mão única, vai evoluindo para uma relação sólida o bastante para durar até hoje.

Obviamente, o casal de protagonistas (que convence em seus respectivos papéis) tem maior destaque na obra, mas suas presenças em tela ganham ainda mais relevância através da participação de outras figuras importantes na vida de ambos.

Por parte de Magal, o compositor / empresário Jean Pierre (Caco Ciocler), que se diz responsável pela criação do visual de amante latino / cigano do cantor, e teme que um envolvimento sério do astro com uma mulher possa afastar sua base de fãs (entre as quais, muitas sonham em ter algo mais com o ídolo inalcançável).

Já pelo lado de Magali, há sua família – composta pela mãe, Graça (Emanuelle Araújo), que transita entre excessivamente controladora e leal protetora da filha; pelo acolhedor tio Renan (Sidney Santiago Kuanza), que alterna entre a função vespertina de garçom e o trabalho noturno como a maravilhosa Drag Queen, Sandra Pink; pela divertida tia Lurdes (Tânia Toko); e pela prima Ana Maria (Sol Menezes), com quem dividirá sonhos e aprenderá a lidar com um inesperado ciúme.

O mais bacana de “Meu Sangue ferve por Você” é que a tema de sua narrativa – ainda que cercado de números musicais coreografados, típicos de produções do gênero musical – é baseado em fatos reais. Como fã de décadas de Sidney Magal, a quem já tive o privilégio de entrevistar a alguns anos, sei que sua história com a esposa Magali aconteceu de uma maneira quase mágica, com direito à certeza de que ficariam juntos, desde a primeira vez que se viram.

A verdade é que algo tão forte assim, nem tem como ser representado com precisão em tela, é uma coisa para ser vivida – e, Magal e Magali o fazem lindamente há 45 anos. Nenhuma fábula é capaz de superar o que eles seguem construindo na vida real, mas assistir à cinebiografia com ares de conto de fadas, foi – para mim – uma experiência que encheu meus olhos, encantou meu coração e me fez cantarolar baixinho a partir de cada acorde reconhecível de canções atemporais (e que sempre estarão entre as minhas favoritas).

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Manequim Filmes.

Filed in: Cinema

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