“Um filme de monstros bem bacana precisa de um monstro bem bacana.”
A popularidade alcançada por certas figurinhas amarelas de riso fácil, com a primeira aparição em 2010, quando “Meu Malvado Favorito” foi lançado, parece longe de acabar. E isso, porque, às vezes, tudo que os espectadores querem são momentos divertidos e um conteúdo que não precisa ser complexo para cumprir seu papel.
Em “Minions & Monstros” (Minions & Monsters), somos convidados a percorrer um surpreendente caminho através das origens dos pequeninos asseclas, em sua incessante busca pelo “grande chefe”, que seria a representação do vilão mais malvado possível.
A narrativa é contada por Olívia (voz de Allison Janney na versão original / Carla Pompilio, na versão dublada), guia de um museu que contém itens relacionados à sétima arte, incluindo réplicas de uma dupla que teria escrito capítulos importantes nas telonas: James e Henry.
Eles fazem parte do grupo liderado pelo sisudo Dick, que não mede esforços para ganhar a confiança dos mais diversos vilões, incluindo um Ciclope Gigante (cujo tamanho parece proporcional à dor de pisar em uma peça plástica de brinquedo de encaixar) e uma Múmia (incapaz de fugir dos perigos de um chamado da natureza).
O antagonista com maior relevância – embora tenha uma curta participação – é um misterioso Mago, já que ele é o proprietário de um poderoso livro de feitiços, peça fundamental para que a ideia central se desenvolva.
Uma perseguição a um bandido mascarado no melhor estilo faroeste (que julgam ser um ótimo candidato a chefe) será a responsável por levar os protagonistas a descobrir todas as maravilhas do início da Época de Ouro de Hollywood, na década de 1920.
É quando a animação roteirizada e dirigida por Pierre Coffin (que também dá voz a todos os Minions, na versão original) confirma sua identidade e torna-se uma linda homenagem a clássicos das telonas. De “ET – O Extraterrestre” a “Matrix”, há referências bem identificáveis. Outras surgem como ótimos easter eggs que, quando descobertos, dão aquela sensação que só um cinéfilo é capaz de explicar.
Mas, como quase tudo na vida, a carreira dos amarelinhos é efêmera, mesmo com a providencial ajuda do diretor cinematográfico, Max (Christoph Waltz / Márcio Simões) e com a contratação por parte dos irmãos Elwood e Frank (ambos com voz de Jeff Bridges / Élcio Romar), donos do Bright Brothers Studios.
O sucesso alcançado, que os transforma em sensação das bilheterias, acaba quando as produções passam a ser rodadas com som – afinal, não é todo mundo que entende a linguagem peculiar dos agora ex-astros do cinema. Disposto a retomar o prestígio perdido, James dá forma a um roteiro original escrito por ele, que, supostamente, colocará os minions de volta sob os holofotes. Junto a ele, dois fiéis amigos: Henry (seu parceiro de risadas) e Ed – primeiro elemento surdo da franquia.
A trama leva o sugestivo título “Minions & Monstros” e tem como objetivo incluir alguma criatura assustadora como trunfo e chamariz de público. Para tanto, usam o tal livro de feitiços e realizam um ritual de invocação. O resultado é a aparição de Goomi (Trey Parker / Guilherme Briggs), uma diminuta versão (vestindo uma camisolinha!) do temível Cthulhu, entidade cósmica criada por H. P. Lovecraft. Ele será o guia para que monstros de aparência mais impactante sejam convocados.
O trio apocalíptico é formado por Howard (Phil LaMarr / Manolo Rey), Philips (Bobby Moynihan / Wendel Bezerra) e Irene – A Devoradora de Mundos (uma clara alusão a um dos longas mais bacanas de terror B, “A Bolha Assassina”, originalmente lançado em 1958, que ganhou um remake em 1988).
E, ainda dá tempo de acrescentar uma história paralela sobre a suposta invasão do planeta por um perigoso robô / cosplayer de ficção científica chamado Dort (Jesse Eisenberg / Alexandre Moreno), que descobre o amor ao lado da sufragista Debbie (Zoey Deutch / Hannah Buttel). Confuso? Não, apenas o padrão esperado em uma aventura dos Minions!
Destaque para a ótima sequência de abertura (uma de minhas favoritas do ano, até aqui) e para as várias cenas durante os créditos finais, que devem agradar principalmente quem já conhece a trajetória dos empenhados capangas de macacão jeans.
Sou grande fã da franquia e gosto demais do tipo de humor infantil visto nas obras que a compõem. Felizmente, a nova proposta de criar um conteúdo que também atraia o público mais velho – através de uma espécie de tributo ao cinema – não modificou a essência e acrescentou qualidade ao que já era bom.
Vale muito a pena conferir!
por Angela Debellis
Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Universal Pictures.


comment closed