“É Hora do Show.”
Como todo conteúdo com histórico prévio em outras plataformas, quando um jogo querido por uma legião de admiradores ganha uma adaptação cinematográfica, assume o grande risco de desagradar quem espera por uma recriação fiel do que é oferecido em seu formato original.
Lançado há 34 anos e após dois live-actions lançados em 1995 e 1997, Mortal Kombat conquistou de novo as telonas em 2021, com a tarefa de popularizar ainda mais o título clássico dos consoles. O filme atingiu uma bilheteria modesta para o que se espera de uma produção do gênero (cerca de US$ 84,4 milhões), que pode ter sido prejudicada por dois fatores: o lançamento durante a pandemia de Covid-19 e a estreia simultânea nos cinemas e no streaming.
Mas, a maior reclamação de quem não gostou tanto do que viu, se deve às mudanças feitas na mitologia de um universo cuja história é tão rica, quanto vasta. A inclusão de elementos criados especialmente para o longa não teve a aceitação esperada e muitos questionaram o futuro da franquia.
Cinco anos depois, “Mortal Kombat 2” (Mortal Kombat II) chega como um novo sopro de esperança à saga, ao priorizar o que se reconhece como sucesso entre os consumidores do jogo, seja dando espaço a figuras conhecidas ou abraçando por completo a ideia de se fazer uma obra fantasiosa, mesmo que isso caia no exagero (forte atributo do material no qual se baseia).
A trama escrita por Jeremy Slater começa logo após os eventos do capítulo anterior e mostra o Plano Terreno em grande perigo, uma vez que a Exoterra já venceu o famigerado torneio nove vezes seguidas e basta mais uma vitória para que tudo esteja perdido para nós.
Essa é a deixa para Lorde Raiden (Tadanobu Asano) convocar Johnny Cage (Karl Urban), ex-campeão mundial de caratê / ex-ator de sucesso dos anos 1990, com grandes habilidades em artes marciais, ótimas tiradas referenciando a cultura pop e uma carreira em franco declínio. Sem entender muito bem o que o espera, ele terá que assumir o papel de herói do planeta ao lado outros icônicos lutadores.
Cage fará parte da equipe composta por Sonya Blade (Jessica McNamee), Jax Briggs (Mehcad Brooks), Liu Kang (Ludi Lin) e Cole Young (Lewis Tan). Cada um se verá em combate com perigosos representantes da Exoterra liderados por Shao Kon (Martyn Ford), cuja brutalidade dos golpes é proporcional ao anseio em dominar nosso mundo.
Se as lutas têm um destaque muito maior (e, obviamente, merecido) dessa vez, ainda há tempo de conferir uma narrativa paralela que mostra a infância de Kitana (nessa fase, interpretada por Sophia Xu) sendo marcada de maneira irremediável pelo sanguinário imperador.
Ao juntar-se aos competidores do mal, a Princesa (em sua fase adulta, vivida por Adeline Rudolph) transforma-se em uma perigosa adição na batalha pelo poder. E faz com que muitos espectadores desejem, secretamente, não apenas ter exemplares semelhantes, mas saber manejar seus leques com lâminas metálicas, tão bem quanto a letal guerreira.
O roteiro pode ser considerado simples, mas é muito eficiente dentro do que se propõe. O que importa para quem acompanha a franquia de jogos é ver o máximo possível de disputas, de preferência com a inclusão de golpes específicos.
E é isso que o filme dirigido por Simon McQuoid entrega com grande competência. A recriação de cenários vistos nos games, assim como a representação de movimentos e poderes característicos de cada personagem, transportam o público para dentro das arenas e aumenta a torcida pelo sucesso de nossos lutadores.
Destaque para a surpreendente e produtiva interação entre Cage e Baraka (CJ Bloomfield), que rende divertidas sequências. E para a luta entre Liu Kang e Kung Lao (Max Huang), que incorpora com perfeição a ideia do jogo criado por Ed Boon (programador) e John Tobias (artista/designer), para a Midway Games.
Para contentamento dos fãs, ainda há muito a ser explorado nesse universo e “Mortal Kombat 2” parece disposto a não ser aquele que encerrará essa história nas telonas. Que, ao som da incomparável “Tecno Syndrome”, venham os próximos rounds.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Warner Bros. Pictures.


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