Crítica: “O Malvado: Horror no Natal”

Na passagem do século 19 para o 20, nós tivemos uma mudança radical na produção de histórias de fantasia no ocidente. Enquanto antes a maioria eram infantilizações de histórias folclóricas moralizantes, passamos a ter artistas que focavam objetivamente no estímulo da criatividade e raciocino dos seus leitores jovens.

Entre eles, Dr. Seuss, cuja obra “Como Grinch Roubou o Natal”, virou um dos icônicos filmes modernos de Natal, inspiração para a comédia de terror “O Malvado: Horror no Natal” (The Mean One).

Na trama escrita por Steven LaMorte (também à frente da direção), Flip Kobler e Finn Kobler, Cindy (Krystle Martin) é uma garota traumatizada pelo assassinato de sua mãe no Natal, realizado por um monstro verde. Anos depois, a protagonista volta ao local dos acontecimentos, a fim de superá-lo.

Em uma visão mais imediata, temos um clássico filme slasher sobrenatural de baixo orçamento. “O Malvado: Horror no Natal” funciona como um anti-Papai Noel, inspirado no Grinch, matando a todos que comemorem o Natal.

Mesmo sem falar nada além de urros animalescos, o ator David Howard Thornton, que interpreta a criatura, tem uma representação corporal excelente, que, combinada com o figurino e maquiagem bem excetuados, criam um assassino que mescla o grotesco e o hilário de forma bem equilibrada. O filme realmente anda e te agarrada pelo colarinho quando O Malvado entra em cena para realizar suas barbaridades.

Quanto aos demais atores, trama, efeitos especiais e cenários, estes são poucos elaborados fora das cenas de interação direta com O Malvado. Nesses momentos, o que tenta manter alguma coerência na trama é a investigação sobre o segredo que a prefeita e o delegado escondem.

Mas o que dá charme a essa parte da trama realmente são as piadas se referindo à obra original, especialmente aquelas que tocam no limite do que pode ser dito ou não pelos atores, sem levar um processo.

Aqui fica um pequeno esclarecimento sobre a execução do filme. Diferente de “Ursinho Pooh: Sangue e Mel”, não estamos falando de uma obra em domínio público. As histórias do Dr. Seuss estão fortemente protegidas pelos próximos 50 anos.

Dentro da legislação dos EUA, não muito diferente da nossa, é liberada a realização de paródias de obras protegidas, desde que não haja o intuito de desmoralizar o conteúdo original, lembrando que uma coisa é um ataque e outra coisa é uma crítica.

Quando lidamos com obras infantis, as mesmas já costumam ser de humor, o que já dificulta suas paródias não passarem de imitações, além do fato de que, misturar com temas mais pesados resulta facilmente em algo visto como difamação do original.

Assim, imagino os esforços enormes da equipe criativa e de seus advogados para criar um filme desses sem serem processados, então, até mesmo as limitações de roteiro são justamente por causa dessas dificuldades legais.

Como dito no início desse texto, a maioria dos contos de fada clássicos não eram originalmente para crianças, o que significa que muitos deles tinham um conteúdo adulto e assustador. Assim, “O Malvado: Horror no Natal” traz uma inversão desse processo, mostrando um pouco como seria repetíssemos essa lógica de maneira invertida, com algo que nunca teve uma versão sombria original em uma interessante brincadeira narrativa.

Desta forma, temos uma obra para fãs de slashers, oferecendo o máximo de diversão àqueles que já assistiram ao filme ou leram “O Grinch” original. E fiquem depois da primeira leva de créditos que tem uma piada extra.

por Luiz Cecanecchia – especial para A Toupeira

*Título assistido em Pré-Estreia promovida pela A2 Filmes.

Filed in: Cinema

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