Crítica: “O Senhor do Caos”

A Diamond Filmes está surpreendendo esse ano como um leva bem variada de obras de terror nos cinemas brasileiros, como o famoso “Fale Comigo”, conseguindo encerrar o ano com mais um em seu catálogo.

Em “O Senhor do Caos” (Lord of Misrule) a pastora Rebecca Holland (Tuppence Middleton) está tentando se adaptar com sua família Berrow, cidade no interior do Reino Unido, para a qual mudaram recentemente, buscando se tornar uma boa líder de sua congregação, enquanto enfrenta seus próprios problemas familiares.

Porém, quando sua filha Grace (Evie Templeton) desaparece em uma festividade exclusiva da região, a religiosa precisa mergulhar nos segredos dos moradores e na potência de sua fé para conseguir recuperá-la.

O sabor da produção está na ambientação e na investigação do mistério, indo em uma linha de suspense sobrenatural, quase sem cenas violentas. A trilha sonora, interpretação e edição estão funcionais para transmitir essa ideia, com destaque apenas para certos figurinos do culto, especialmente para o Senhor do Caos, sacerdote que dá nome ao filme.

O folk horror (horror folclórico) recuperou força após o sucesso de “Midsommar- O Mal não espera a Noite”. A mescla de lendas da floresta que ainda resistem no mundo atual, aliada ao pânico de seitas macabras está na essência do gênero, o qual tem como um dos seus representantes mais antigos e icônicos o “Homem de Palha” de 1973.

Se de um lado essa linha ajuda a trabalhar com medos específicos, do outro sempre existe uma linha tênue de respeito à crença alheia que, se ultrapassada, pode transformar uma obra que propaga contra religiões não cristãs.

Nesse aspecto. “O Senhor do Caos” usa alguns recursos interessantes de roteiro, já que vamos descobrindo não apenas como funciona o culto, mas como ele passou por uma série de transformações através dos séculos, dependendo de quem estivesse no comando, mostrando como uma religião evolui, para o bem ou para o mal, ao longo de sua existência.

O que pode atrapalhar na apreciação do filme dirigido por William Brent Bell é o ritmo por vezes exageradamente lento (podia ter meia hora a menos de duração), o que é piorado pelo trailer fazer um resumo quase completo do primeiro ato.

Outro problema é o uso em demasia de outros longas como base, sem um trabalho mais elaborado de roteiro (este, escrito por Tom de Ville), dando a impressão de uma colcha de retalhos de diferentes títulos de folk horror. Uma colcha bem costurada e bonita, mas que parece mais do mesmo para quem tem uma bagagem cinematográfica mais ampla.

Ao mesmo tempo, e, pelos mesmos motivos, “O Senhor do Caos” acaba sendo uma opção para quem deseja conhecer o tema. Uma porta de fácil acesso, para que o espectador interessado possa ir atrás de materiais mais elaborados, assim como satisfaz quem é fã do gênero.

por Luiz Cecanecchia – especial para A Toupeira

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Diamond Films.

Filed in: Cinema

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