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Crítica: “The Mortuary Assistant”

“Lembre-se: O que você esconde, é o que lhe adoece.”

Jogos de horror indie têm, merecidamente, ganhado destaque entre o público que não faz parte do mercado gamer. Tal fato se dá pela decisão de se transportar histórias dos consoles (ou PCs) para as telas – de cinema e/ou streamings, criando obras que despertam o interesse de quem já consome conteúdos relacionados a terror em geral.

A mais nova adaptação cinematográfica, “The Mortuary Assistant” (The Mortuary Assistant) adapta o jogo homônimo lançado em 2022 e tem o criador Brian Clarke como um dos roteiristas – ao lado de Tracie Bube.

O que me faz pensar, mesmo sem conhecer o material no qual se baseia, que, dentro das possibilidades de transição de plataformas, haja mais facilidade (e uma exigência maior) da equipe responsável pelo longa seguir a ideia original.

A narrativa (que no game acontece em 1998, numa pequena cidade em Connecticut, nos Estados Unidos), acontece quase que por completo, nas dependências do Necrotério River Fields. O local é gerenciado pelo misterioso Raymond Delver (Paul Sparks), cujos segredos serão revelados conforme acontecimentos fora do normal sugirem na trama.

Sob sua anuência, a recém-formada em medicina legal, Rebecca Owens (Willa Holland), assumirá a responsabilidade de, em caráter excepcional, trabalhar no turno da noite, durante o qual deve receber vários corpos vindos do necrotério central da cidade, e executar os devidos procedimentos (que se alternam entre embalsamentos e cremação).

Mas, sua rotina de trabalho será alterada quando a jovem percebe que há coisas inexplicáveis acontecendo no local. Como ex-dependente química ainda em tratamento, muitas alucinações talvez possam ser interpretadas como abstinência, mas a verdade é bem mais sombria.

Sem nenhuma explicação sobre os (muitos) perigos que a cercam, Rebecca terá que lutar com forças sobrenaturais, enquanto busca manter-se viva até o amanhecer, resistindo à possessão de seu corpo por uma entidade demoníaca.

A história não traz grandes novidades (se é que esse tema ainda pode render algo pioneiro) e há alguns clichês desnecessários (como o barulho de trovões em momentos chave ou o mau funcionamento de luzes). A pouca utilização de jump scares me agradou muito, mas eventualmente será vista como um problema por espectadores que necessitam desse recurso para imersão na obra.

Por outro lado, o filme dirigido por Jeremiah Kipp se destaca pela qualidade da maquiagem e efeitos práticos (trabalho de Norman Cabrera Monsters), em especial no que diz respeito à representação das etapas do processo de embalsamento.

Assim como também conta com uma boa trilha sonora (composta por Jeffery Alan Jones) – cujo tema principal é bastante efetivo acrescentar tensão às cenas e tem sequências com elementos que lembram os comumente vistos em games, mantendo a lembrança de se tratar de uma adaptação desse tipo.

Não sou fã prévia da proposta original (embora goste muito da temática envolvendo necrotérios), assisti a “The Mortuary Assistant” sem grandes expectativas e me convenci com o resultado como um todo. O que, entre tantos títulos duvidosos do gênero, é algo bem positivo.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela A2 Filmes.

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