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Crítica: “Velhos Bandidos”

“A idade ensina que existem pessoas nas quais realmente podemos confiar.”

Quando “Velhos Bandidos” ganhou seu material de divulgação, a coisa que mais me chamou a atenção foi o calibre de seu elenco. Mas, será que o longa faria jus à escolha de tantos artistas renomados? Felizmente, a resposta é sim.

A comédia nacional que chega aos cinemas é daquelas que divertem sem esforço, de maneira genuína, graças a um roteiro afiado (escrito por Cláudio Torres – que também assume a direção, Fábio Mendes, Renan Flumian e colaboração de Davi Torres) e a interpretações que, assim como esperado, são de encher os olhos.

A narrativa passada no Rio de Janeiro nos apresenta dois casais: os jovens Nancy (Bruna Marquezine) e Sid (Vladimir Britcha), cujo sonho é montar uma pousada na ilha de Bora Bora. Na ânsia de realizar o ambicioso desejo, eles aplicam golpes em clientes idosos de uma Agência de Viagens especializada em Cruzeiros Marítimos.

E os veteranos Marta (Fernanda Montenegro entregando carisma em cada take) e Rodolfo (Ary Fontoura, nitidamente se divertindo em cena) que, de futuras vítimas dos trambiqueiros, passam ao controle total da situação, após uma tentativa de roubo frustrada à sua residência.

A juventude de uma dupla e a sabedoria da outra formam o combo perfeito para a realização de um ambicioso assalto ao Banco Central Carioca. O motivo? Ter acesso a um montante de dinheiro equivalente à indenização que Rodolfo deveria ter recebido décadas atrás, quando foi injustamente demitido.

O plano tem um prazo bem restrito para ser concluído, uma vez que, em cinco dias, o prédio do banco será reformado. O que significa que o quarteto precisará de toda ajuda possível, a fim de garantir que nenhum detalhe seja esquecido.

É aí que entram mais nomes conhecidos há décadas pelo público: a falsária Elizabeth (Teca Pereira); o anestesista, Alberto (Hamilton Vaz Pereira); o piloto / ex-de Marta, Carlos (Reginaldo Faria); a especialista em perfuração a laser, Ingrid (Vera Fisher); e o técnico em efeitos especiais, Herculano (Tony Tornado).

Tão maravilhosa, quanto improvável, a equipe terá que lutar não só contra o tempo, mas também deverá enfrentar a desconfiança do investigador de polícia, Oswaldo Aranha (Lázaro Ramos), muito disposto a desbaratar o grupo, visando uma promoção de cargo.

A produção é daquele tipo de comédia que não só conta com os momentos certos para fazer rir, como também consegue envolver e fazer os espectadores se importarem com os personagens. Sem nenhum tipo de apelação (textual ou visual), entrega uma história que parece simples, mas com reviravoltas significativas. Existe um conteúdo bem relevante, além da superfície cômica por si só.

Obviamente, algumas coisas não fazem sentido (nem seriam viáveis, com os recursos existentes na sociedade atual), mas, ainda assim, é muito bom vê-las em tela. Porque às vezes, só estamos procurando por um filme que entretenha / emocione, sem maiores complicações.

E isso, “Velhos Bandidos” faz com maestria.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Paris Filmes.

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