
Crédito: Divulgação.
Esse final de semana (13 e 14 de setembro), tive a oportunidade de participar da Canal 3 Expo, uma das maiores convenções de jogos antigos e retrô no Brasil e América Latina, uma verdadeira Meca, ou mais especificamente Haje, para os fãs desse tipo de games. E digo mais: todo elogio é pouco, pois este ano por incrível que pareça, estava ainda melhor que ano passado.

Primeiramente a organização estava muito melhor e mais eficiente: a divisão dos espaços foi consideravelmente melhor, a Arena Retrô – espaço reservado para jogar os games antigos – estava em maior destaque e tamanho, os estandes menos amontoados. Também havia uma excelente exposição de brinquedos e jogos dos anos 1970, 1980 e 1990, e uma área de serviços, jogos indie, e clubes de videogames – em particular, o Odissey.

Quando cheguei, logo fui para a área indie, afinal sou grande fã de jogos independentes, além dos antigos, claro. O mais legal é que vários títulos eram para consoles antigos e me surpreenderam os criadores: além de disponibilizarem e comercializarem as roms (arquivos para emulação) de seus jogos, a maioria apresentava mídia física na forma de cartuchos para os mais diversos consoles como o Atari 2600, Master System, Mega Drive e Game Boy.

Eu mesmo adquiri um para o GBA, e guardei um contato para posteriormente comprar alguns de Mega Drive e Master System. Além desses novos games para videogames antigos, outros que não necessariamente seriam para esses sistemas, mas com pesada influência dos clássicos – seja nos gráficos, jogabilidade ou ambos – também se fizeram presentes, e acabei até dando vários feedbacks como compositor, professor de artes, e aficcionado por games, mas também péssimo nesses.

Todos me impressionaram muito, mas o principal foi Ivayami, dado que é inspirado num lugar muito querido para mim: Paranapiacaba, e como esse pequeno distrito de Santo André lembra Silent Hill.

O espaço para jogar videogames retrô triplicou em relação à edição anterior, e seguiu contando com todo tipo de console antigo, desde o Atari e Odissey até um pouco mais recentes, como o PS2 e o Dreamcast. Além disso, uma pequena mas verdadeira Lan House foi montada com 10 PCs para jogar Counter Strike, maior sucesso nesse tipo de estabelecimento nos anos 2000. Para os aficionados por Tetris foi realizado um campeonato, do qual não participei, uma vez que precisava registrar todo evento (mas também por ser muito ruim neste jogo, apesar de amá-lo).

Junto à Arena Retrô também havia uma exposição incrível dos anos 1970, 1980 e 1990. Nela havia brinquedos, jogos – videogames ou não – e outros objetos nostálgicos deste período, em particular da Turma da Mônica, como embalagens da Cica onde figuravam o Jotalhão (o elefante verde criado por Mauricio de Sousa, e garoto propaganda desta marca).

Além disso, foram disponibilizadas oito máquinas de pinball, que mesmo sendo em um espaço mais singelo do que em outras convenções, contava com peças mais raras e/ou antigas dos que se encontravam por aí mesmo quando essas ainda eram presentes. Destaque para três: uma do começo de 1973, que me emocionei ao jogar; uma posterior, do final da década de 1970; e uma da personagem Elvira – A Rainha das Trevas, dos anos 1980. Nunca vi esse modelos em outros eventos, ou mesmo em fliperamas durante minha infância.

As apresentações musicais foram bem diversificadas, e de alta qualidade. Pude escutar uma banda da qual sou fã desde que ela surgiu, os Megadrivers, assim como mais novas como Rayjin e Mestre Yoda Band, que prestaram uma bela homenagem a Ayrton Senna. Mas não tinha só rock: uma bateria de samba tocou temas de animes e games, arranjos de músicas mais tranquilas dos games nos teclados. Música para todos os gostos. Até para quem gosta de cantar: tinha um karaokê para galera soltar o gogó.

Por fim, mas tão importante quanto os outros espaços: os estandes de vendas. A quantidade de produtos, da qualidade e raridades desses foi notável. Lá encontrei desde o mais popular e fácil de achar cartucho de qualquer console, até versões e acessórios raros, cujos valores facilmente ultrapassavam os 10 mil reais, e a maioria sem danos e plenamente original.

Lojistas de jogos antigos – embora nesse caso seja relativo, dada que consoles do começo de 2010 já são considerados antigos – de todo país expuseram, e proporcionaram diversidade. Ao mesmo tempo, isso representou também uma estranheza de valores: um tipo de jogo ou console podia ser encontrado em dois estandes com preços completamente diferentes, ainda que no mesmo estado de conservação.

Vale dizer que este último comentário não é uma crítica ao evento em si, mas uma exposição do estado do mercado retrogamer, que se valorizou consideravelmente nos últimos anos. Então, quem pretende ir às próximas edições (ou a outros semelhantes) e aqueles que pretendem comprar na Internet ou fora dela: cuidado e comparem preços. Fazendo isto consegui algumas raridades com excelente custo benefício.

A Canal 3 Expo é um evento que cativa meu coração: no início apenas um grupo online que periodicamente se encontrava para mostrarem suas preciosidades retrô, agora uma verdadeira convenção para os amantes dos jogos antigos, mas que continua carregando o espírito do original; onde mesmo os mais hábeis negociadores e vendedores têm uma paixão enorme por aquilo que vendem, e os que compram nem se fala. Aproveitei demais, e pretendo voltar em todas as edições que vierem.

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Crédito das imagens: Ícaro de Carvalho.
por Ícaro de Carvalho – especial para A Toupeira


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