
Crédito: Angela Debellis
“Quando evitamos confrontar nossos medos, criamos ansiedade e deixamos de enfrentar o único inimigo que existe: nós mesmos.” (p.23)
Quem trabalha com resenhas, sabe que algumas editoras / distribuidoras não são receptivas. Muitas solicitações são negadas, outras simplesmente ignoradas, por razões que não nos competem saber (mas que eu adoraria entender).
Quando entrei em contato com a assessoria da Editora Gente, questionado a possibilidade de envio de um exemplar de “Encontre o Extraordinário em Meio às Cicatrizes”, no lugar do temor em receber uma resposta negativa, já me vi fazendo a leitura e o quanto essa experiência acrescentaria na minha vida.
Sem imaginar, já estava praticando um dos passos mais significativos explicados / sugeridos na obra escrita por Fernanda Ester Machado.
O livro aborda questões nem sempre fáceis de lidar, como traumas de infância que nos assombram durante a vida e a complexidade / necessidade do perdão (começando pelo próprio). Assim como a facilidade com que tendemos a nos acostumar com aquilo que nos impede de crescer e ser felizes, apenas por não nos julgarmos merecedores de nada melhor.
“Existem três versões de nós mesmos coexistindo no presente: a que somos, a que carrega as dores do passado e a nossa melhor versão.” (p. 25)
A professora de meditação / mentora espiritual e coach em Ayurveda propõe aos leitores a prática do que chama de “Método SOL”: Sofrimento Obrigatório Liberta, que sugere parar de fugir (como é quase natural a todo ser humano) e enfrentar de maneira direta tudo que nos fere emocionalmente.
“O medo de olhar para a escuridão pode nos paralisar, mas se não o enfrentarmos, nunca conseguiremos enxergar a luz que nos aguarda.” (p.34)
Orientações sobre a prática de diversos exercícios mentais e de meditação propriamente dita, que ajudam a pavimentar um caminho no qual não há espaço para grilhões (aos quais, muitas vezes, nos prendemos sozinhos) fundem-se a depoimentos reais da autora e de seus clientes.

Crédito: Angela Debellis
“Pode ser que você olhe para o lado e pense que a dor do outro é maior, mas isso não implica que a sua doa menos em você.” (p. 69)
Embora tenha sido, como eu imaginava, uma leitura enriquecedora, a verdade é que eu ainda tenho muitas dificuldades em colocar o que li em prática, mesmo ciente da importância (e urgência) de fazê-lo em minha vida.
Na teoria, tudo é mais fluido, contudo, mudar a mentalidade de alguém de um jeito tão radical, não é tão simples. A boa notícia – na qual tenho depositado minha esperança – é que não é fácil, mas é possível.
“Você não é o que aconteceu com você. Você é o que escolhe fazer a partir de agora.” (p. 103)
Inserir a prática de determinadas orientações em minha rotina não operou um milagre (eu nem esperava algo assim), mas noto que, paulatinamente, tem contribuído para que eu deixe de carregar pesos e culpas que não me pertencem. O gratificante é perceber que isso não significa um retrocesso, mas uma evolução de meus ideais.
“A grandeza de sua vida começa no momento em que você diz sim à sua própria jornada de cura.” (p. 149)
Ao término da leitura, a sensação é a de que, acima de qualquer dúvida sobre a real eficácia do conteúdo da obra, permanece a vontade de manter – mesmo que seja uma pequena fresta ainda – uma porta aberta para a vida e todas as realizações que mereço.
E acreditar, que, apesar de quase tudo e quase todos, ainda há tempo para encontrar o extraordinário cujo brilho pode estar ofuscado, mas eu sei que ainda permanece vivo em meio às minhas cicatrizes.
por Angela Debellis
*Leitura feita a partir do livro cedido pela Editora Gente.


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