Crítica: “Fragmentado”

Entre todos os animais que habitam a face da Terra, é altamente provável (para não dizer óbvio) que o ser humano seja o mais complicado de se lidar / entender. Talvez pelo “simples” fato de ser o único considerado racional, ele se torna uma peça exageradamente complexa, na maioria dos casos. Isso, quando há apenas uma personalidade – sempre única em cada indivíduo – agora imagine ter que manter o controle sobre 23 distintas em constante disputa pelo mesmo espaço.

Essa é a missão dificílima de Kevin Wendell Crumb (James McAvoy em uma interpretação impecável e surpreendente), protagonista de “Fragmentado” (Split), novo longa do diretor M. Night Shyamalan, que também desenvolveu o roteiro original (além de, como de praxe, ter uma pequena participação em uma das cenas).

Na trama, o jovem suprime os abusos sofridos quando criança embaixo da criação das características emocionais de 23 pessoas das mais variadas idades e conceitos: da mulher de fala e movimentos delicados ao homem com fixação por ordem e limpeza, do estilista amante da moda ao menino de 9 anos que gosta de dançar rap no quarto. Em comum, apenas o fato fundamental de coabitarem o mesmo corpo físico.

Uma das personalidades, conhecida como Dennis, é quem dá início à ação na história, ao sequestrar Case (Anya Taylor-Joy), Claire (Haley Lu Richardson) e Marcia (Jessica Sula), três adolescentes que, ao serem mantidas em cativeiro, descobrirão não só esta, mas várias faces de Kevin – e o quão incertas podem ser as atitudes de cada uma ao se manifestar.

O maior perigo, no entanto, está no fato de uma nova – e ainda mais contundente – personalidade estar na iminência de surgir. Denominada apenas como “A Besta”, tem sua existência questionada pela veterana Doutora Karen Fletcher (Betty Buckley), com quem Kevin faz um aparentemente longo – e talvez interminável – tratamento.

Filmes que têm como ponto central a narrativa de vida de algum personagem com personalidades múltiplas não chegam a ser novidade, porém o grande mérito do longa é como ele consegue trazer o assunto à tona de maneira interessante, além da inquestionável qualidade da interpretação de McAvoy. Não há recursos de maquiagem ou drásticas mudanças de figurino – um par de óculos, um colar, um xale, são apenas pequenos detalhes que ajudam a compor a aparição de cada personagem vivido por ele.

Mas os maiores aliados do ator são seus olhos, que conseguem imprimir identidade própria a cada personalidade. Basta um momento de atenção em seu rosto, para conseguir perceber qual personagem está “na luz” (ou seja, no comando de suas emoções e pensamentos) naquele momento.

Para fechar com chave de ouro, vale destacar que a cena final conseguiu tirar o fôlego daqueles que ainda tinham algum, após a incessante tensão de quase 2 horas de filme. E mesmo que você goste de spoiler, dessa vez o mais legal é chegar à sala sem saber nada sobre o referido desfecho.

Imperdível.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

You might like:

HBO Max lançará documentário da Lizzo no segundo semestre do ano HBO Max lançará documentário da Lizzo no segundo semestre do ano
Concurso de Cosplay acontece no Shopping Santa Cruz Concurso de Cosplay acontece no Shopping Santa Cruz
Universal Pictures divulga trailer da comédia “Mais que Amigos, Friends” Universal Pictures divulga trailer da comédia “Mais que Amigos, Friends”
Cine Gazin volta a percorrer cidades brasileiras  com sessões gratuitas Cine Gazin volta a percorrer cidades brasileiras com sessões gratuitas
© AToupeira. All rights reserved. XHTML / CSS Valid.
Proudly designed by Theme Junkie.