Crítica: “IT – A Coisa”

Muitas (para não dizer todas) pessoas têm alguma fobia da qual não conseguem se livrar, por mais que os anos passem. O motivo do meu pavor inato são os palhaços, essas excêntricas figuras que dificilmente passam despercebidas: ou você as ama, ou as odeia.

Mas, se por um lado sou coulrofóbica, por outro também sou grande fã da obra de Stephen King (como já contei anteriormente), o que significa que eu tive que conferir o resultado da adaptação cinematográfica de um de seus mais aclamados trabalhos.

Depois do best-seller de 749 páginas lançado em 1986, e da minissérie para TV de 1990 – com a inesquecível interpretação de Tim Curry -, “IT – A Coisa” (IT) ganha as telonas com claro potencial para se tornar um dos mais bem-sucedidos  títulos de terror já produzido.

Na trama, fazemos uma viagem ao ano de 1989 – o original se passa no final da década de 1950 -, para a pequena cidade fictícia de Derry, localizada no estado americano do Maine. Este é o palco para as ações de uma criatura do mal, que age por lá desde meados do século XIX, quando tomou como figura principal a forma de um palhaço com trajes bufantes que faz questão de deixar bem clara sua “identidade”: Pennywise – O Palhaço Dançarino (Bill Skarsgård em atuação monstra – com o perdão do trocadilho!).

Georgie Denbrough (Jackson Robert Scott), o garotinho de capa amarela que estampa grande parte do material de divulgação do filme, e provavelmente é sua vítima mais conhecida, já tem seu momento exibido logo no início da narrativa. É a partir desse ponto, da muito conhecido / temido episódio envolvendo um pequeno barco de papel e um bueiro, que o protagonista de maquiagem apavorante dá as caras e se mostra como uma ameaça tangível aos atuais habitantes do local.

“Clube dos Perdedores” (ou “Clube dos Otários”, como foi traduzido nesta versão) é um grupo formado por sete pré-adolescentes que têm suas vidas ligadas pelo perigo iminente de um ataque daquele a quem chamam de “A Coisa”. Mas, além desse horror sobrenatural, há também aqueles causados por criaturas bem mais próximas e nem sempre nocivas à primeira vista: os seres humanos.

Bullying, preconceito por raça / religião/ constituição física, pedofilia. Assuntos tão delicados quanto sérios, que são tratados no longa de maneira exemplar. Cada personagem é compelido a enfrentar seu maior medo interior, que ganha forma através da capacidade de Pennywise de tomar qualquer forma a fim de piorar ainda mais – se é que isso é possível – a experiência de cruzar seu caminho.

Com integrantes bastante distintos, caberá ao improvável grupo encontrar uma maneira de dar um fim à série de assassinatos / desaparecimentos que acomete a cidade a cada 27 anos. Tarefa que se mostra mais ingrata a cada cena, a cada nova descoberta e reencontro com o sorridente e pavoroso assassino.

São tantos os destaques positivos, que parece injusto escolher apenas alguns para citar, mas vale dizer que a interpretação do núcleo juvenil está impecável, com a escolha certeira de Sophia Lillis para dar vida à Beverly Marsh – a única garota do grupo – e de Finn Wolfhard, que transforma seu Richie Tozier em um dos personagens favoritos do público, com suas piadas fora de hora e enorme coração.

Também vale ressaltar a qualidade da cenografia que nos remete com perfeição ao final de uma das décadas mais celebradas até hoje, e das cenas que exigem efeitos especiais. A icônica sequência do banheiro ganha ares ainda mais sinistros neste filme dirigido por Andrés Muschietti.

Em entrevista recente, Stephen King declarou que palhaços são assustadores. Se o Mestre do Terror e um dos meus escritores favoritos disse isso, quem sou eu para discordar?

Imperdível.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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