Crítica: “O Destino de uma Nação”

Quando pensamos em grandes conflitos históricos, é provável que a primeira imagem seja a de campos repletos de soldados cujas vidas tornam-se descartáveis diante de ações tão gigantescas e terríveis. Mas há outro lado, aquele em que os “senhores da guerra” estão em frente a mapas marcados por alfinetes (ou o que quer que o valha em dias atuais), decidindo o próximo movimento que um país inteiro tomará.

Esses bastidores são o centro de O Destino de uma Nação” (Darkest Hour), trama dirigida por Joe Wright, e baseada no livro homônimo de Anthony McCarten. Passada em maio de 1940, mostra a nomeação de Winston Churchill (Gary Oldman, em atuação que já começou a render prêmios) ao cargo de primeiro-ministro da Inglaterra, em meio à Segunda Guerra Mundial.

Ao estadista de gênio forte e grande inteligência, caberá a decisão de aceitar uma espécie de tratado de paz com Adolf Hitler, mediado por Benito Mussolini ou colocar a rendição como carta fora do baralho e manter o país atuante no conflito (ainda que isso custe milhares de vidas).

É louvável que a postura de Churchill em não se entregar permaneça rígida, mesmo nos momentos em que este parecia ser o único caminho viável. O político teve que enfrentar a discordância de seus companheiros de partido, de seus oponentes e até mesmo do Rei George VI (Ben Mendelsohn) e, ainda assim, manteve-se fiel àquilo em que acreditava: a possibilidade de resgatar o exército inglês que estava sitiado em Dunkirk.

Se lhe soou familiar, é porque em 2017, o outro lado da história, o que traz a visão de dentro dos campos de batalha, foi mostrado por Christopher Nolan no excepcional longa que leva justamente o nome da cidade portuária francesa.

O óbvio destaque fica para Gary Oldman, cujo talento consegue sobrepor-se à pesada maquiagem. As nuances de sua interpretação ficam claras quando vemos o rigoroso político gargalhando com sua fiel secretária Elizabeth Layton (Lily James), ao descobrir o significado equivocado da primeira foto em que aparece com sua icônica pose fazendo o “V” de vitória. Ou ainda como o homem que, mesmo casado há tantos anos, consegue ter bons diálogos com sua esposa Clementine (Kristin Scott Thomas).

Cabe dizer que a recriação de um dos discursos mais famosos de Churchill é um dos melhores momentos da produção. Para quem não conhece, é interessante procurar pela gravação do áudio original, para perceber o quão competente foi a execução da cena, inclusive pela entonação de voz de Oldman.

Vale conferir nos cinemas.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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