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Crítica: “Dowton Abbey – O Grande Final”

Após 52 episódios divididos em seis temporadas da série televisiva criada por Julian Fellowes (mais uma vez responsável pelo roteiro) e três filmes para o cinema, a saga da família Crawley é encerrada com a estreia de “Downton Abbey – O Grande Final” (Downton Abbey: The Grand Finale).

Os eventos do longa dirigido por Simon Curtis se passam em 1930 – três anos depois dos apresentados em “Dowton Abbey – O Filme” e dois após “Downton Abbey II – Uma Nova Era”. Além do começo da década, o que vemos são mudanças drásticas que impactarão diretamente no futuro da atual e das próximas gerações da família de aristocratas britânicos.

A ideia de deixar a responsabilidade de gerir Downton Abbey nas mãos de Lady Mary (Michelle Dockery) passa a ganhar cada vez mais força, mas um fato pode impedir sua ascensão: o divórcio de seu marido, Henry Talbot (Matthew Goode), considerado algo imperdoável diante da hipócrita sociedade da época.

Se antes era uma figura disputada nos principais eventos, com o fim de seu casamento, Mary passa a ser vista como alguém que deve ser evitado e cuja presença não é mais requisitada por aqueles que, em teoria, a tinham em grande conta – como duramente mostrado durante o baile promovido pela esnobe Lady Petersfield (Joely Richardson). Sim, era desse modo que as coisas aconteciam há 95 anos.

Enquanto tentam manter a cabeça da filha erguida, mesmo diante da rejeição de seus pares, Robert (Hugh Bonneville) e Cora (Elizabeth McGovern) também precisam encarar o fato de que chegou o momento de seguir adiante, longe do comando da propriedade. Contudo, nem sempre ter consciência de inevitabilidade de algo torna a missão mais fácil.

Assim como o carismático casal, outros personagens também abraçam se veem às voltas com a aposentadoria: com nítida relutância em abrir mão do cargo, Sr. Carson (Jim Carter) elege Andrew Parker (Michael Fox) como seu sucessor nas funções de mordomo. Com mais acolhimento, a veterana cozinheira Sra. Patmore (Lesley Nicol) passa o bastão (ou melhor, a colher de pau) para Daisy (Sophie McShera).

Problemas com dinheiro ainda rondam a propriedade, e a chegada do irmão de Cora – Harold Levinson (Paul Giamatti) – e de Gus Sambroon (Alessandro Nivola) – um misterioso gestor de finanças – traz à tona a constatação de que manter a vida confortável e os imóveis talvez não seja mais  tão simples à família Crowley.

O grande acerto da produção continua sendo a forma como os assuntos – dos mais leves aos mais incômodos – são tratados. Por mais que haja momentos preocupantes – no que diz respeito a áreas distintas da vida – sempre há espaço para uma tirada inteligente, que traz consigo aquele tipo de texto que faz o espectador sorrir (mesmo que às vezes, entre lágrimas).

Com a beleza peculiar ao material do qual se origina, “Downton Abbey – O Grande Final” destaca-se pela riqueza dos figurinos criados por Anna Robbins e pelo trabalho de fotografia de Ben Smithard, que conduz os espectadores aos aposentos da suntuosa propriedade e faz um marcante passeio pelo condado inglês de Yorkshire.

Arcos fechados, justas homenagens, celebradas participações especiais e a promessa de um futuro que, mesmo que não seja retratado em tela, será repleto de progresso e novidades. Realmente, Dowton Abbey teve um grande final.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Universal Pictures.

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