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O avanço da idade exige cuidados redobrados com a saúde dos pets, principalmente quando o assunto são doenças crônicas que podem comprometer o bem-estar e a qualidade de vida. Cães e gatos estão suscetíveis a enfermidades degenerativas e neurodegenerativas ao longo da vida, muitas vezes silenciosas e de evolução progressiva.
Segundo o neurologista do Hospital Veterinário AmarVet’s, Dr. Demétrio Godoy, as doenças degenerativas provocam deterioração gradual de células, órgãos e tecidos, enquanto as neurodegenerativas afetam diretamente o sistema nervoso.
“As doenças degenerativas promovem alterações irreversíveis, como a hérnia de disco, que pode acometer cães a partir dos dois anos. Já as neurodegenerativas atingem as células nervosas, causando diferentes alterações neurológicas”, explica.
Entre as doenças degenerativas mais comuns em cães e gatos está a artrose, que impacta diretamente a mobilidade dos animais. No grupo das neurodegenerativas, destacam-se a doença de acúmulo lisossomal, leucodistrofia, vacuolização neuronal em Rottweilers e Boxers, degeneração neuronal multissistêmica em Cocker Spaniel e a síndrome da disfunção cognitiva.
“Embora o envelhecimento seja um fator de risco importante, algumas dessas doenças podem surgir ainda na fase jovem. Animais com acúmulo lisossomal, por exemplo, nascem aparentemente saudáveis, mas desenvolvem sinais neurológicos nas primeiras semanas ou meses de vida”, alerta o médico.
No caso da síndrome da disfunção cognitiva, os sinais costumam aparecer em cães por volta dos nove anos e em gatos aos doze, embora pets a partir dos sete anos já possam apresentar alterações iniciais.
Entre os principais sintomas estão desorientação, mudanças nas interações sociais, distúrbios do sono, déficits de memória e aprendizado, aumento da ansiedade, perda de interesse por brincadeiras ou passeios, eliminação em locais não habituais e vocalização excessiva. Em estágios mais avançados, alguns animais podem deixar de reconhecer os tutores ou inverter o ciclo de sono.
A prevenção ainda é um desafio, pois não existem tratamentos capazes de interromper completamente a progressão dessas enfermidades. “A evolução costuma ser lenta e gradual, mas algumas medidas ajudam a retardar os sintomas. Para pets com predisposição a hérnias de disco ou artrose, é importante evitar pisos escorregadios, restringir saltos e manter o controle do peso. Já na síndrome da disfunção cognitiva, atividades que estimulem a cognição, como o enriquecimento ambiental, podem fazer diferença”, orienta Dr. Demétrio.
Check-ups veterinários periódicos são fundamentais para o diagnóstico precoce, já que muitos tutores tendem a associar alterações comportamentais apenas ao envelhecimento natural. Mesmo sem cura, os tratamentos disponíveis têm como objetivo controlar a evolução das doenças e preservar o bem-estar dos animais.
“O tratamento dessas condições visa principalmente a qualidade de vida dos pets e o manejo adequado dos sintomas. São enfermidades sem cura, mas com acompanhamento contínuo é possível proporcionar mais conforto e longevidade”, conclui.
da Redação A Toupeira


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