“Não vão parar e você sabe disso.”
É da natureza do terror ser polêmico. Mesmo sendo bastante popular, o gênero parece fadado a seguir a linha “ame ou odeie”, com mais ênfase do que os demais. O que significa que opiniões inflamadas – para o bem ou para o mal – não são nenhuma novidade, no que diz respeito a produções do tipo.
No caso de “Pânico 7” (Scream 7), este já chega aos cinemas com duas tarefas distintas: a de (mais uma vez) renovar o interesse do público por uma franquia iniciada em 1996 e a de ser lembrado por seus próprios méritos (e não por problemas de bastidores envolvendo política e demissões – promovidas e voluntárias).
Quem assume o complicado desafio, dirige a obra e assina o novo roteiro (que, devido aos citados imbróglios internos, precisou ser reescrito), é Kevin Williamson, responsável pelas narrativas dos dois primeiros capítulos da saga. Ou seja, pelo menos em teoria, ele tem conhecimento o suficiente para entregar uma história que agrade tanto aos fãs novos, quanto ao público recente.
Uma das marcas da franquia é uma sequência inicial memorável. Dessa vez, a ação se passa na icônica Woodsboro, Califórnia, mais precisamente na casa de Stu Macher (Matthew Lillard), palco das maiores revelações do “Pânico” original. A residência agora pode ser alugada para a chamada “Experiência na Casa Macher” e, por mais que pareça – e realmente seja – uma má ideia, sempre haverá quem pense o contrário.
Como o casal Scott (Jimmy Tatro) e Madison (Michelle Randolph), vítimas dos primeiros ataques do temível Ghosface, que surge provando que, após três décadas, ainda é viável manter os olhos grudados em tela, à espera do resultado das ações de uma figura que não dá indícios de que vai encerrar tão cedo seu legado de sangue.
As muitas alterações na narrativa trazem de volta ao (merecido) protagonismo, Sidney Prescott (Neve Campbell), em sua eterna busca por deixar o passado para trás. Agora usando o sobrenome do marido, Mark Evans (Joel McHale), a eterna final girl vive com a família na pequena (e fictícia) cidade de Pine Grove, Indiana, onde gerencia uma Cafetaria própria e tenta esconder traumas sob uma frágil impressão de segurança.
Mas, a pacificidade de sua rotina será quebrada com a aparição de um novo Ghostface nos arredores, que não só ameaça a vida de sua primogênita, Tatum (Isabel May), como põe em dúvida a morte de um dos maiores antagonistas da série, Stu Macher.
Com uma motivação desconhecida para a nova onda de assassinatos, ao mesmo tempo em que ninguém está seguro, boa parte passa a ser considerado suspeito. Ainda mais pelos arquétipos sempre presentes e que servem de combustível para todo tipo de teoria (desde o lançamento dos primeiros materiais de divulgação, até a revelação final no cinema).
Aumentando o ar de nostalgia e dando aos fãs o que realmente eles querem, há também o retorno de Gale Weathers (Courteney Cox) – única personagem a participar dos, até aqui, sete capítulos da franquia. O jeito ácido e a sagacidade mantém a jornalista não só como alguém querido pela plateia, mas também como figura altamente relevante na trama.
Quanto à matança propriamente dita, Ghostface parece ter entrado de vez em uma espiral de violência criativa, mostrando o quanto estrago é possível fazer com uma faca em mãos. Algumas mortes são bastante gráficas e chegam a beirar o exagero, contudo, mantêm a essência principal do vilão – embora este ganhe forma através de pessoas diferentes a cada produção.
Sabiamente, não há nenhuma explicação rebuscada sobre o paradeiro das protagonistas de “Pânico” e “Pânico VI”, o que pode desagradar alguns, mas acaba sendo uma boa saída para não dar mais munição a algo tão delicado. A única lembrança deixada pelos citados títulos é a volta de Chad (Mason Gooding) e Mindy Meeks-Martin (Jasmin Savoy Brown), que agora trabalham como estagiários de Gale.
Os momentos derradeiros são o elo mais fraco da corrente. A revelação de quem está por trás da máscara não chega a decepcionar, mas as motivações para a nova leva de crimes deixam a incômoda sensação de não convencer como deveriam / poderiam. Não é nada ilógico ou inaceitável – em especial se encaradas pelo intimidador viés dos dias atuais -, mas, à primeira vista, não têm o impacto de outras grandes descobertas feitas em alguns longas prévios.
No geral, “Pânico 7” pode até não contentar a todos, porém, é a maior prova de que, se bem conduzida, a jornada iniciada em Woodsboro, há 30 anos, está longe de acabar.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Paramount Pictures.


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