“Terra à Deriva” chegou em 2019 e virou um dos maiores sucessos da história da China (e mesmo globais, já que teve cerca de US$ 700 milhões de bilheteria).
Foi o primeiro épico de ficção espacial no país a atingir grande sucesso, mostrando a história de uma aliança global protege a Terra enquanto o planeta cruza o sistema solar para fugir da explosão do sol.
O longa foi lançado no Brasil pela Netflix e agora “Terra à Deriva II – Destino” (Liú Làng Dì Qiú 2 / The Wandering Earth II) ganha a chance de exibição nos cinemas nacionais, como um grande prequel do material original.
Nem monstros mutantes nem um império alienígena, aqui temos um desastre ambiente de nível interplanetário para ser resolvido.
Na trama, o sol está prestes a entrar em Supernova, o processo natural no qual ele explode destruindo o sistema solar ( de forma bem resumida para o texto não virar um artigo de cosmologia).
Só que esse processo, ao invés de durar 5 bilhões de anos, vai acontecer em apenas um século. Assim, os países se unem para encontrar um jeito de salvar a humanidade e toda vida na Terra.
A decisão tomada é a de construir uma rede de motores e cidades subterrâneas ligadas a eles. Tais equipamentos moverão o planeta até um sistema solar mais seguro nos próximos milênios, enquanto as cidades protegerão as pessoas do caos climático decorrente de mover a Terra.
Assim, a narrativa baseada na obra de Cixin Liu e escrita por Yang Zhixue, Gong Geer, Frant Gwo (também à frente da diração) e Ruchang Ye se passa ao longo de vários anos, lembrando uma estrutura de de antologia, com várias histórias do processo de construção dos motores e suas dificuldades.
Em alguns momentos, eu me senti mais maratonando uma série do que vendo um filme, o que não é um problema, com as cenas de ação espetaculares fazendo a produção merecer ser vista em tela grande.
O clima alterna entre o de desastre e o de guerra. Existem todos os problemas técnicos ligados à construção dessa super-tecnologia, ao mesmo tempo que grupos terroristas tentam sabotar o projeto. No caso, existe um movimento que beira o fanatismo religioso, o qual busca transferir a mente humana para computadores, motivando grupos armados fascinados pela ideia de imortalidade em um paraíso artificial.
Assim, de um lado temos ação com batalhas aéreas, missões subaquáticas, exoesqueletos de combate, naves espaciais, supercomputadores e outros elementos bem feitos da ficção científica. De outro aspecto, temos uma série de dramas humanos ligados a esses conflitos. Fanatismo de uma nova religião, famílias destruídas pelo caos, disputas políticas, o conflito de qual é o limite entre lutar pela esperança e não aceitar o luto permeando tudo.
Fica bem claro como o título dirigido por Frant Gwo se esforça para mostrar a ideia de um problema realmente global que só pode ser vencido com a união de todos os países. O filme é multilíngue e há uma extensa representação étnica, incluindo uma atriz brasileira (Daniela Tassy) fazendo uma astronauta brasileira com seu arco narrativo próprio.
Para quem gosta de épicos de ficção científica e deseja fugir de mais um ‘clone’ de “Star Wars” ou “Guardiões da Galáxia”, “Terra à Deriva II – Destino” é uma excelente opção. E, por ser uma obra de origem, pode ser visto independente do original, apesar do mesmo estar facilmente acessível no Brasil pela Netflix.
Obs.: Não saia imediatamente da sala, pois uma cena pós-crédito que vale a pena a ser assistida, a qual explica vários acontecimentos dos dois longas.
por Luiz Cecanecchia – especial para A Toupeira
*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Sato Company.


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