“A Conspiração Condor” leva às telas uma história curiosa dos anos em que o Brasil viveu sob o regime da ditadura militar, quando sumir com pessoas, inventar histórias e argumentos, fazia parte do rol de mentirosos que assolavam nosso país.
O filme trata de coincidências políticas percebidas ou decifradas por Silvana (Mel Lisboa), repórter de uma coluna de fofoca, que vê nessa gravidade uma oportunidade de mudança de rumo.
O questionamento das mortes de Juscelino Kubitschek, João Goulart, e mais tarde Carlos Lacerda (Pedro Bial), ocorridas durante a ditadura, num curto espaço de tempo, torna-se o mistério que dá o combustível para Silvana seguir com seu intento, sem mesmo ter certeza de manter em segurança a sua própria vida.
A obra ilustra os momentos em que nosso país, quando nas mãos erradas, nos coloca em risco. Quando pessoas desqualificadas, falsos patriotas, tentam entregar a forças externas nossa preciosidade maior, a troco de vantagens individuais, tema para o qual devemos sempre estar em alerta.
O ritmo lento da sucessão dos fatos dá uma sensação de previsível à narrativa. A preparação do elenco parece não ter tido grande exigência, há atores muito bons, contudo, outros parecem indiferentes.
A surpresa maior foi Pedro Bial, um ator preparadíssimo, estudioso e dedicado, como não se via há muito tempo. Ele emana uma energia arquetípica, e deixa transparecer a evolução de um ator nato, que pesquisa todos os aspectos de uma personagem, buscando registros em seu corpo, voz e alma.
Mel Lisboa é uma das grandes atrizes de sua geração e entrega tudo o que lhe foi proposto. Mas parece que faltou algo, que ela poderia ir além, todavia, como boa profissional que é, segue o roteiro à risca.
A direção parece um pouco tímida, segue na zona de conforto, não se arrisca. Cenas e cenários muito parecidos deram trouxeram certo marasmo e, até mesmo, alguma impaciência. Porém, o filme tem seu mérito e não desfaz seu potencial diante da crítica de minúcias.
“A Conspiração Condor” tem direção André Sturm, que também assina o roteiro junto a Victor Bonini.
por Carlos Marroco – especial para A Toupeira
*Título assistido em Pré-Estreia promovida pela Pandora Filmes.


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