Crítica: “Alice no País das Trevas”

O livro clássico “Alice no País das Maravilhas” é mais do que um dos fundadores dos contos de fadas moderno, ele também é progenitor da fantasia no sense, isto é, uma história aonde a própria estrutura da realidade vai se modificando ao longo da trama, o que já estabelece as bases para um diálogo com o gênero do horror.

No filme “Alice no País das Trevas” (Alice in Terrorland), acompanhamos a história de Alice (Lizzy Willis), cuja família morreu em um trágico acidente, indo morar com a avó Beth (Rula Lenska) em um terreno conhecido como País das Maravilhas. Porém, o que aparentava ser um recomeço idílico vira uma batalha pela sanidade.

Ao longo da trama, múltiplos espectros aparecem para Alice, todos reimaginados em versões humanas, mas com um toque macabro, de figuras do clássico literário, gerando sempre a dúvida se estamos vendo fantasmas, alucinações ou misto de ambos dentro dos sonhos perturbados da protagonista.

Cada um com uma distorção própria de câmera e personalidade única, como se cada aparição, mesma interagindo com as anteriores, tivesse sua própria micro-realidade. Uma forma de se ver o filme, inclusive, é como uma antologia de histórias curtas de terror com Alice como guia enquanto descobre um antigo segredo da família.

Entre os personagens e atores, o maior destaque vai para Beth, tanto na versão de avó cuidadosa como de Rainha Vermelha perturbadora. Você vai sair da sessão querendo ter visto mais cenas com ela.

Os maiores pecados estão no início, na demorada em definir qual o ritmo que o longa vai ver. Gosto da famosa regra dos 10 minutos, tempo inicial em que boas títulos para o público em geral estabelecem qual será o clima e tema.

Aqui, o filme dá várias voltas, até finalmente estabelecer qual será sua linha, o que desanima o telespectador habitual, dificultando absorver o restante da obra. Além disso, o lado mais experimental das filmagens – para criar os ambientes de sonho – faz com que, por vezes, os ângulos de câmera e cortes de edição gerem uma estranheza além da necessária para contar a história.

No mais, estamos vendo uma obra de baixo orçamento e que se esforça para narrar histórias assustadoras, sem depender de computação gráfica ou de maquiagens muito sofisticadas. Aplaudo o esforço e criatividade, além de ser um dos raros filmes de terror atuais que não fica só na palheta de cores sombrias, gerando algumas belas cenas de contraste entre o exterior campestre e iluminado da propriedade e seu interior obscuro. Imagino o que poderia ser feito com maior orçamente, trazendo alguns artistas mais experientes, inclusive para deixar o roteiro um pouco menos óbvio.

Por fim, ignore o cartaz que traz uma falsa sensação de filme slasher. Indico “Alice no País das Trevas” para quem gosta de obras descompromissadas de assombração, especialmente aquelas que deixam na dúvida entre o que é real ou criação do inconsciente das personagens.

por Luiz Cecanecchia – especial para A Toupeira

*Título assistido em Pré-Estreia promovida pela A2 Filmes.

Filed in: Cinema

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